NA FRONTEIRA ENTRE A FÍSICA E A FILOSOFIA: REFLEXÕES FILOSÓFICAS DE EUGENE P. WIGNER
Frederik Moreira dos Santos
- Autor
- Frederik Moreira dos Santos
- Orientador(a)
- Olival Freire Junior
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
Este trabalho busca sistematizar o pensamento filosófico do físico húngaroamericano Eugene P. Wigner. Remonto nesta dissertação ao que creio ser o centro dos modelos conceituais e explicativos empreendidos nos seus ensaios filosóficos. Porém, antes de entrar nas discussões centrais, inicio o primeiro capítulo com uma breve biografia intelectual a fim de apresentar este personagem à comunidade filosófica. A partir do segundo capítulo apresentamos três eixos de onde se pode construir um esquema geral da visão de Wigner sobre os fundamentos da Física. Estes eixos são constituídos por sua (1) exigência de se construir uma imagem geral e coerente do mundo natural através de (2) um formalismo atrelado a um uso conveniente dos conceitos físicos, dentro de (3) uma tendência semelhante à idealista (que ele chamou de “dualista”) em relação à realidade do mundo natural. Para ele, independente de nossas crenças filosóficas pessoais, nossas reflexões epistêmicas devem começar pela imagem de mundo construída a partir da teoria física mais aceita em um determinado período. Este posicionamento, que constitui seu primeiro movimento a fim de se construir uma determinada Filosofia da Física, deve começar com as seguintes questões: Quais são as condições de possibilidade que dão significado às leis de uma determinada teoria? Que tipo de descrição da realidade esta nos fornece? Como se constrói sua relação com o mundo empírico? Assim, responderemos, também, a seguinte questão: que atitude filosófica levou Wigner a se interessar pelo problema da medição se ele pareceu defender uma postura tão instrumentalista em relação ao papel descritivo das leis físicas? A partir da imagem de fundo dada pela interpretação padrão ou ortodoxa, Wigner desdobrou a estrutura sintática da Teoria Quântica da Medição até as suas últimas conseqüências, de modo que ele constrói um modelo lógico que leva a estranhas conclusões. Dessa forma, ele mesmo desenvolve um ambiente propício para propor seu próprio modelo heurístico como candidato a solucionar esta estranheza extraída do modelo padrão. Veremos que o ponto central era apontar para um exemplo de caso limite na Física Moderna e estimular os cientistas naturais a construírem uma imagem de mundo (Weltbild) mais coerente. No terceiro capítulo, parto da caracterização do seu pensamento científico quanto àquilo que ele refletiu sobre a natureza da atividade científica. Seu poder descritivo, o papel da Matemática nas teorias físicas e algumas das condições de possibilidade necessárias para construirmos um conhecimento naturalista. Dentre estas, segundo Wigner, estaria a lei mais geral e profunda da natureza, a simetria. Wigner utiliza o critério de obediência a este princípio como uma das (talvez a principal delas) condições necessárias para que os processos e descrições físicas se construam de forma.coerente com os ditames do mundo empírico. Em seguida apresento a metáfora do edifício que Wigner utiliza para poder ilustrar aquilo que ele entende caracterizar a atividade científica. Finalmente, discuto o lugar central que seu interesse pelo estudo da mente exercia em seus ensaios filosóficos e especulativos.
