- Autor
- Luciano Donizetti da Silva
- Orientador(a)
- Luiz Damon Santos Moutinho
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ — UFPR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
RESUMO Luciano....Análise genética e crítica das primeiras obras, de cunho estritamente filosófico, produzidas pelo filósofo francês Jean-Paul Sartre entre 1934 e 1945. A pesquisa não obedece a ordem cronológica de produção ou publicação dos textos, mas sim a um eixo temático: a obsessão de Sartre por produzir uma filosofia que supere a antinomia do realismo e do idealismo. Tal delimitação advém da discussão que nosso filósofo mantém inicialmente com a obra de Husserl e, a seguir, com a obra de Heidegger. Uma idéia fundamental da fenomenologia de Husserl (1939), A transcendência do Ego (1934), A imaginação (1936) e O imaginário (1940) mostram como Sartre se apropria da noção de intencionalidade e combate a filosofia da representação; mostram ainda que, embora ele continue fenomenólogo, as dificuldades em relação ao pensamento de Husserl se agravam, principalmente no que se refere à noção de redução fenomenológica e ao conseqüente idealismo. Não se trata, porém, de abandonar o que havia sido desenvolvido até 1940, mas de manter as conquistas desse período e, ao mesmo tempo, superar o idealismo husserliano. Isso leva até a introdução de O Ser e o Nada (1943), onde Sartre rompe definitivamente com seu mentor ao mostrar a necessidade da transcendência do ser. Assim, Sartre está obrigado a reescrever a fenomenologia desde seu início. O final de O imaginário indica precocemente em que medida o ser-no-mundo heideggeriano descortina novas perspectivas para seu pensamento; e o início de O Ser e o Nada mostra como Sartre reescreve a fenomenologia e como, para superar o idealismo, formula uma resposta ontológica. Essa reviravolta no pensamento de Sartre também se explica por seu projeto de afirmar a absoluta autonomia da consciência e a presença soberana do mundo; se o mundo reduzido carece de realidade, é preciso superar a tese husserliana da constituição do ser. Para isso, além de manter a intencionalidade da consciência enquanto ser-no-mundo, Sartre vai necessitar de um outro instrumental que permita dissolver essa aparente contradição: entra em cena a negação. O Diário de uma guerra estranha (1942) e A liberdade cartesiana (1945) mostram as peculiaridades da negação na filosofia de Sartre, que num mesmo ato é dupla negação. Por fim, as discussões finais estão circunscritas à análise das estruturas imediatas do para-si e, em seguida, da transcendência (segunda parte de O Ser e o Nada), com intuito de mostrar a resposta ontológica dada por Sartre ao problema da relação entre consciência e mundo sem, contudo, recair no idealismo ou no realismo, mas garantindo a autonomia da consciência e a realidade e presença soberana do mundo. Por último, coloca-se em discussão a aporia da filosofia da negatividade: Os problemas decorrentes da pretensão de se produzir uma filosofia que supere a antinomia clássica do realismo e do idealismo podem ser de fato solucionados? A alternativa que opta pela negatividade absoluta pode ser sustentada?....Palavras-chave: Negatividade, transcendência, intencionalidade, ser-no-mundo, negação.
