- Autor
- MARCOS ANDRÉ REIS DE AMORIM
- Orientador(a)
- IVAIR COELHO LISBOA RADEMAKER DE NOGUEIRA ITAGIBA FILHO
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1999
A pesquisa que aqui se fez, sob a noção do devir como tema, parte da leitura que Nietzsche elaborou em relação aos primeiros filósofos, onde pudemos perceber tanto uma original apreensão do pensamento pré-socrático (ou """" pré-platônico"""" como estabelece nosso filósofo alemão) como também nos propiciou observar pistas de sua própria filosofia que estava por vir, em essência, relativo ao objetivo deste trabalho. A vida como algo em permanente vir-a-ser, um tornar-se constante, sempre em transformação, fez Nietzsche identificar-se com a filosofia de Heráclito, considerando-o um pensador trágico como ele...A tragédia grega, por sua vez, contemporânea ao surgimento da filosofia, sob as ordens de Dionísio, também vê a vida como algo em movimento, em perpétuo ato de construção e destruição para que a criação nunca cesse. Mas não há como negar que alguns gregos temiam o devir. Desde a vitória de Zeus sobre o caos (quando os ferozes titãs são aprisionados no centro da Terra), passando pela época de invenção da filosofia e atravessando o período da arte trágica, o ciclo de vida e morte era de certa forma, motivo de preocupação para estes homens...Os filósofos, que criaram uma nova interpretação do mundo amparados na physis, rompendo com o sobrenatural do discurso religioso, não ficaram imunes a esta questão do fluxo contínuo das coisas, ganhando com o socratismo (o que já parecia indicar os eleatas) e tudo que dele devém uma nova visão que fazia nascer a metaphysis...Nietzsche e Heráclito recusam como verdade absoluta esta saída encontrada pela tradição socrática, tratando o devir como subalterno da razão da imobilidade. Como despregar da vida o que faz dela vida? A ação do tempo, o jogo de guerra que entusiasmava os grandes guerreiros, a vontade de potência que quer o eterno retorno do ato de criar sempre, são os antídotos de Nietzsche-Heráclito contra a estagnação em que a vida e a filosofia (e não há como separá-las) se deparam quando forças reativas se fizeram de guia do pensamento humano.
