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Dissertações

O afã de imortalidade no pensamento de Miguel de Unamuno.

ROSANA CRISTINA BORGES SILVA

Dissertação
Autor
ROSANA CRISTINA BORGES SILVA
Orientador(a)
RICARDO JARDIM ANDRADE
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2003
2003ROSANA CRISTINA BORGES SILVA. O afã de imortalidade no pensamento de Miguel de Unamuno.. 2003. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): RICARDO JARDIM ANDRADE.2

Durante toda sua vida, Unamuno foi testemunha de notáveis mudanças na realidade sócio-político-cultural de seu tempo. Era um pensador contestante e inquieto, que defendia idéias muito próprias, provocando por isso mesmo polêmicas bastante acirradas. Intelectualmente ambicioso tinha como característica querer saber tudo e saber de tudo. Foi destaque na chamada geração de 98, a qual mais tarde deixaria marcas na literatura, na filosofia e também na política. Sua obra não é só filosófica, mas também literária, embora a reflexão filosófica predomine no todo. Em suas novelas, consideradas existenciais, busca uma forma mais adequada de expressão, contrapondo-se às novelas com pretensões científicas, as chamadas novelas experimentais de sua época. Do Sentimento Trágico da Vida é sua obra filosófica capital e será aqui o foco de nossa atenção..... É muito de se estranhar que Miguel de Unamuno não figure na história da filosofia contemporânea ao lado de pensadores como Kierkegaard e Sartre, uma vez que sua abordagem e seu principal tema são indiscutivelmente de cunho existencial..... Pode-se dizer que o desejo de imortalidade, o tema principal de Unamuno, é em geral considerado pelos filósofos, explícita ou implicitamente. Mas no pensador espanhol ocorre, por certo, um tratamento originalíssimo desta questão. Não que negligencie conceitos desenvolvidos por seus antecessores. Pelo contrário, serve-se extensamente de outras reflexões e até da terminologia alheia, enquadrando-as, porém, em sua própria interpretação. Unamuno oferece como que o verdadeiro sentido de cada teoria particular antecedente, esforçando-se para expressar aquilo que os pensadores anteriores não viram plenamente ou com o devido grau de fundamentalidade no tema estudado. Assim, não é a questão clássica da imortalidade o que interessa propriamente a Unamuno. Não se trata da argumentação contra ou a favor da imortalidade da alma, nem da suspensão do juízo a este respeito. Antes, o seu interesse se volta para o que é determinante nesta questão, para o fundamento último dela e de todas as outras questões filosóficas pertinentes, a saber: o mencionado desejo de imortalidade - e não o tópico """"imortalidade"""" da psicologia racional. O desejo, a ânsia ou o anelo de imortalidade, o querer viver para sempre é de fato, segundo Unamuno, a força propulsora de toda filosofia, não importa que espécie de resposta ela ofereça: cética, ateísta, materialista ou fideísta, deísta espiritualista. Quer negue ou afirme a imortalidade da alma, quer suspenda seu juízo sobre este tema, todo discurso filosófico é gerado, no fundo, para lidar ou para fugir desta questão.