- Autor
- Roberto de Almeida Pereira Barros
- Orientador(a)
- Oswaldo Giacóia Júnior
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2000
Em 1888, em Ecce Homo (EH), Nietzsche indica que o dionisíaco consiste no ato excelso de Assim Falava Zaratustra (1833/85), mas ainda que, graças à superação dos antigos dogmas, à restauração dos significado das noções de inspiração, de revelação ( Offenbarung) e de simbolização, tornou-se possível a superação do homem contemporâneo e do Além-do-Homem (Übermensch) tornar-se a mais alta realidade (EH. Z. # 6). Estes afirmações aproximam Assim Falava Zaratustra de o Nascimento da Tragédia (1872), primeira obra de Nietzsche, a qual ele, também em Ecce Homo, diz conter, quando considerado o âmbito da filosofia, inovações decisivas (EH. NT. # 1). Em O Nascimento da Tragédia o dionisíaco forma uma unidade indissolúvel com o apolíneo, enquanto manifestação livre dos impulsos naturais voltado, respectivamente, para o orgiástico sem medida e para a figuração, sendo que a união de ambos e da atenuação do primeiro pelo segundo gerou a arte grega para Nietzsche uma das mais positivas formas de expressão e afirmação da existência. O reaparecimento do dionisíaco em Assim Falava Zaratustra, relacionado ao pensamento fundamental desta obra, o pensamento do Eterno retorno do Mesmo, levanta a questão acerca do seu estatuto; se ele mantém ou altera os mesmos aspectos da obra inicial de Nietzsche. Segundo os pressupostos de O Nascimento da Tragédia, o Além-do-Homem pode ser interpretado como princípio apolíneo, posto como bela imagem que antecede e torna suportável a nova perspectiva da existência, posta pela morte de Deus e pelo pensamento do eterno retornar de todas as coisas. Este caráter apolíneo do ensinamento do Além-do-Homem, aproxima-o também do traço ideal da arte grega, fonte de inspiração para Nietzsche e utilizada por ele como discurso contrário ao idealismo romântico e filosófico.
