O ARGUMENTO DOS OPOSTOS E A HIPÓTESE SOBRE IMORTALIDADE NO FÉDON DE PLATÃO
LOURIVAL BEZERRA DA COSTA JÚNIOR
- Autor
- LOURIVAL BEZERRA DA COSTA JÚNIOR
- Orientador(a)
- Markus Figueira da Silva
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE — UFRN
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
A presente pesquisa procura mostrar que, Platão, em seu diálogo Fédon desenvolve uma investigação acerca do problema da relação entre opostos no intuito de propiciar a diferença entre “coisas opostas” e “oposto mesmo”, posto que essa diferença determine a distinção entre a visão naturalista e o pensamento platônico. Para o cumprimento de tal tarefa, esse filósofo se vale do argumento dos opostos, tanto no que diz respeito à dupla geração entre opostos, quanto no que concerne dupla exclusão entre eles. Platão refaz o caminho dos naturalistas como estratégia dialógica para no final da apresentação dessa visão corrigir o modo pelo qual se pode afirmar como ocorrem a geração e a corrupção de todas as coisas. A morte histórica de Sócrates, o pálios logos, a dupla geração entre opostos, o argumento da reminiscência, a dupla exclusão entre opostos e a linguagem mítica, são instrumentos usados na construção desse diálogo. No Fédon, a abordagem filosófica da morte é o centro que se dilata de modo discursivo para evocar a questão da geração e exclusão entre opostos. Desde o início desse diálogo a morte tem um sentido maior do que a mera narrativa histórica da morte de Sócrates e da crença nas doutrinas mistéricas do palaios logos, posto que ambos, a morte de Sócrates e o palaios logos, sejam apenas instrumentos para uma filosofia que transcende tanto o aspecto humano quanto o aspecto religioso da personagem principal e do próprio autor do diálogo. A hipótese sobre as verdadeiras causas da geração, decorrente da dialética platônica no desenvolvimento argumentativo dessa obra, passa, necessariamente, pela superação da imaginação (através da purificação do pensamento), alcança pela morte para o filósofo a possibilidade do “pensamento sem misturas” e culmina na inteligibilidade das formas perfeitas, na qual, atinge seu ponto mais alto: a verdadeira causa, as Idéias das quais participam as coisas.
