- Autor
- LORAINE DE FÁTIMA OLIVEIRA
- Orientador(a)
- Reinholdo Aloysio Ullmann
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1997
Este trabalho visa investigar como o Belo se manifesta no mundo sensível, na filosofia de Plotino. A questão é abordada do ponto de vista da enformação da matéria, já que o mundo sensível é um composto de Forma e matéria. Perguntamos como a Forma, que é o Belo, pode estar na matéria, que é feia. Para chegar a esta pergunta, contudo, é necessário percorrer os principais tópicos da metafísica de Plotino, averiguando de que modo surge o mundo sensível, e de onde vem o Belo. Assim, tratamos do Uno, da Inteligência, da Alma, que são os três principais elementos do mundo inteligível. A partir destes, podemos entender o que é mundo inteligível e saber que é de lá que vêm o Belo e a Forma. A seguir, analisamos a Forma,verificando sua relação com a Inteligência, com a Alma e com o Belo. Então passaremos à análise da matéria, verificando suas principais características, e o modo como se relaciona com a Forma. Veremos que a enformação é o reflexo da Forma na matéria. A matéria reflete a Forma a obscurecendo, e esta interfere na matéria encobrindo suas características. Desse modo, o Belo oculta o feio, não impedindo contudo que esteja presente. Ademais, é fundamental percebermos que a Forma sem a matéria não poderia manifestar-se no mundo sensível, assim como a matéria sem a Forma também não o poderia. Portanto, o sensível é o resultado de uma união de opostos. Contudo, Plotino diz que na arte a possibilidade de manifestação do Belo é maior do que na natureza, uma vez que o artista, contemplando o Belo inteligível, é capaz de corrigir as imperfeições da natureza. Uma questão fundamental para a filosofia de Plotino, a teoria da processão, é desenvolvida ao longo dos capítulos. Essa teoria trata do modo como as coisas procedem uma da outra a partir do Uno. Assim, deste vem a Inteligência, seguida pela Alma, da qual procede o mundo sensível. Mas, tudo tendo parte no Uno, tudo pode retornar a ele, por meio da contemplação. Esse retorno é chamado conversão. O Belo é um meio de conversão. O homem que vê o Belo no mundo sensível, e através desse descobre o Belo do inteligível, é tomado por uma emoção e um amor tais, que purifica sua alma, na tentativa de tornar-se Belo. Assim, a experiência estética é também uma experiência mística, e a visão do Belo, a partir do amor pelo Belo visto no mundo sensível, é prova irrefutável de que, apesar da feiúra da matéria, o Belo se manifesta no mundo sensível.
