O ceticismo aporético nas Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis
ALEX LARA MARTINS
- Autor
- ALEX LARA MARTINS
- Orientador(a)
- PAULO ROBERTO MARGUTTI PINTO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
O objetivo geral da presente dissertação é verificar a pertinência da interpretação do ceticismo machadiano nas Memórias Póstumas de Brás Cubas como aporético, caractererizando-se por valorizar mais o exame de uma problema do que sua resolução. Machado esboça conjecturas que descrevem as relações paradoxais entre seres humanos. Deste modo, a contradição vivida pelos personagens machadianos e a indecidibilidade na determinação de suas posições por parte do leitor podem ser interpretadas como manifestações do ceticismo aporético. Elencamos os principais modos pelos quais as aporias se efetivam no texto: a encruzilhada ideológica, a encruzilhada do narrador, a encruzilhada do leitor e o mistério da existência do enigma. Os modos pelos quais as aporias vigoram no romance machadiano coincidem, em seu ponto de partida, com o conflito ideológico brasileiro do século XIX, e em seu ponto de chegada, com o conflito hermenêutico concernente à reflexão sobre os métodos e instrumentos de composição do romance. Embora focada nas Memórias Póstumas, a visada aporética sugere que possamos considerar parciais as interpretações filosóficas da obra machadiana, permitindo que nos utilizemos delas para melhor visualizar os efeitos dos diversos sentidos de aporia aplicáveis à análise. Isso também sugere que a nossa interpretação possa tornar-se um método reflexivo mais geral sobre como seria possível abordar filosoficamente uma obra literária. Considerando as semelhanças e diferenças entre as diversas interpretações, a visada aporética serviria de suporte a todas elas.
