Voltar para Dissertações
Dissertações

O CETICISMO DE MICHEL DE MONTAIGNE NO ENSAIO DA AMIZADE

Carlos Magno Siqueira Melo

Dissertação
Autor
Carlos Magno Siqueira Melo
Orientador(a)
Edson Peixoto de Resende Filho
Universidade
UNIVERSIDADE GAMA FILHO — UGF
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2005
2005Carlos Magno Siqueira Melo. O CETICISMO DE MICHEL DE MONTAIGNE NO ENSAIO DA AMIZADE. 2005. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE GAMA FILHO, RJ. Orientador(a): Edson Peixoto de Resende Filho.2

Abordamos, nessa dissertação, o ceticismo de Michel de Montaigne no seu ensaio sobre a amizade. Todavia, não constitui o objetivo específico dessa pesquisa, exaurir a questão do ceticismo, servindo-nos, apenas, para demonstração de uma leitura diversa acerca do móbil do ensaísta ao dissertar sobre o tema da amizade. Nesse sentido, ao analisarmos o ensaio Da Amizade, constante do Capítulo 28, do Livro I, procuramos evidenciar as “certezas absolutas”, dele paradoxalmente existentes, que parecem negar todo o ceticismo inerente ao pensamento montaigniano, no intuito de apresentarmos a nossa tese sobre o móbil de Montaigne em enaltecer o seu amigo Etienne de La Boétie. Trabalhamos, então, o ceticismo do ensaísta; a sua análise, extremamente crítica, dos tipos de amizade, pela qual restringe a incidência do termo amizade, tornando- a inatingível, o que acaba por excluir, dentro desse conceito ímpar, as diversas formas de relacionamento; e as divergências entre o pensamento do ensaísta e de seu amigo La Boétie. Embora o objetivo primordial de Montaigne fosse “viver adequadamente”, o que pressupõe liberdade, inclusive de expressão, procurou indicar, numa ética utilitária, a educação e o relacionamento entre os concidadãos, semelhante ao da amizade, como meios propícios à convivência pacífica na sociedade. Porém, dentro da sociedade francesa renascentista do século XVI, governada pela monarquia absolutista e pelos dogmas da Igreja, nem todas as questões, mormente as político-religiosas, podiam ser discutidas de modo liberal, o que nos levou, nessa dissertação, a perceber o ensaio Da Amizade como uma “estratégia” de Montaigne para atingir outro fim, além de simplesmente relatar um possível relacionamento, como apontam os demais comentadores dos Ensaios.