O comediante: O modo de ser da realidade humana, em Jean Paul Sartre.
LUIZ MARCELO PALAURO
- Autor
- LUIZ MARCELO PALAURO
- Orientador(a)
- Roberto Markenson
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO — UFPE
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Para Sartre, o homem como Ser-Para-Si, está impossibilitado de ser plenamente, pois no saber sobre seu ser está em condições de deixar de ser. Portanto, toda sua vida não passa de uma farsa, de uma comédia, de um mentir para os outros e para si mesmo. O homem tem uma tal constituição ontológica que lhe possibilita ser de má-fé. Diante disto, como pode ser entendida a questão da autenticidade em Heidegger? O sujeito que pensasse haver alcançado sua autenticidade, tal como preconiza Heidegger, ao ler Sartre, não poderia se descobrir atuando de má-fé, isto é mentindo e representando um papel para si mesmo - qual seja, o da comédia da autenticidade? Apesar disto, tanto para Heidegger como para Sartre, o homem é um ser para o qual está em questão seu próprio ser. ..Talvez nisto consista a possibilidade de uma convergência entre essas duas doutrinas.....Para Sartre, devido à sua própria constituição ontológica, o homem está condenado a nunca ser nada mais do que seus atos. Um computador é um computador, uma alface é uma alface; mas um homem, para ser qualquer coisa, precisamente por não ser nada além da possibilidade de ser, tem de se fazer ser. Assim, um garçom, por exemplo, não é um garçom; ele representa uma série de atos afim de fixar-se no """"ser-garçom"""". Quanto mais ele se esforça por prender-se neste ser, mais se torna evidente que não o é, que representa ser, que finge como um comediante exposto ao olhar dos outros sobre um palco.
