Voltar para Dissertações
Dissertações

O conceito de liberdade em Leibniz

Paulo Augusto Seifert

Dissertação
Autor
Paulo Augusto Seifert
Orientador(a)
Carlos Roberto Velho Cirne Lima
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
1998
1998Paulo Augusto Seifert. O conceito de liberdade em Leibniz. 1998. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Carlos Roberto Velho Cirne Lima.3

Esta dissertação apresenta a teoria de Leibniz sobre a liberdade humana, problema que o ocupou desde os primeiros textos, escritos na juventude, até seus últimos escritos. Dada a a complexidade e abrangência do assunto, foi preciso delimitar o estudo a apenas um dos aspectos da teoria de Leibniz, aspecto este, entretanto, essencial, pois dá fundamento a outras considerações sobre a liberdade humana. Trata-se, pois, do problema da liberdade da vontade ou, como Leibniz também a chama, a liberdade de querer. Segundo Leibniz, três elementos constituem a liberdade: contingência, espontaneidade, deliberação. A estrutura da dissertação observa esta divisão; assim, além da introdução e conclusão, contém três capítulos relacionados respectivamente a cada um dos elementos mencionados. Na introdução, o problema é apresentado e se mostra porque Leibniz julgava que ele não poderia ser reduzido à questão acerca da liberdade de ação. No primeiro capítulo, intitulado Contingência, são examinadas as duas teorias apresentadas por Leibniz em defesa da noção de contingência e que explicitam os dois princípios básicos do raciocínio: o princípio de contradição e o princípio de razão suficiente. São elas a teoria da possibilidade interna e a teoria da análise infinita. A teoria da possibilidade interna reflete a primeira tentativa de Leibniz em assegurar a validade da distinção entre necessidade absoluta e necessidade hipotética e, consequentemente, a contingência das verdades e dos fatos. Para tanto, Leibniz utiliza dois conceitos que considera fundamentais, correlacionados mas distintos: o de possibilidade em si e o de compossibilidade. A teoria da análise infinita mostra a estratégia usada por Leibniz para assegurar que a contingência das verdades e dos fatos não é apenas aparente ou uma necessidade disfarçada, estratégia esta que depende das idéias de demonstração e infinito. Na dissertação, o autor procura demonstrar que compreender esta teoria auxilia o intérprete a afastar algumas confusões relacionadas aos conceitos de analiticidade, demonstrabilidade, a priori/a posteriori, essencial/acidental. O capítulo conclui com algumas considerações sobre Deus e os mundos possíveis, e como Leibniz introduz a idéia de contingência na escolha divina, da qual a escolha humana é como um espelho. No segundo capítulo, Substância individual e espontaneidade, é examinada a concepção leibniziana da espontaneidade completa de uma substância, concentrando-se na sua relação com as idéias de noção completa e de indivíduo, sua identidade e permanência. Considera-se também a relação entre mundos possíveis e indivíduos. No terceiro capítulo, Vontade e deliberação, se mostra porque, para Leibniz, a contingência não é condição suficiente para a liberdade, mas demanda ainda a deliberação, característica de substâncias pensantes. Assim, são analisadas as relações entre a vontade e o entendimento e como se deve entender o que Leibniz considera como a regra da escolha: segue-se sempre o melhor aparente; da mesma forma, são tratadas algumas objeções intuitivas contra a explicação leibniziana. Na conclusão, intitulada Liberdade e necessidade moral, é proposta uma interpretação da teoria de Leibniz segundo a qual a liberdade consiste afinal em uma forma de determinação moral, distinta por um lado da necessidade lógica e também, por outro, da necessidade física.