O Conceito de Temporalidade (zeitlichkeit) na ONtologia Fundamental de Martin Heidegger
Evandro Bilibio
- Autor
- Evandro Bilibio
- Orientador(a)
- Róbson Ramos dos Reis
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
O objetivo desta dissertação é apresentar a noção de temporalidade, em Ser e Tempo, que opera como o sentido do ser do Dasein. Para tanto, optamos por uma apresentação sistemática e imanente da noção de temporalidade na obra mencionada. O programa ontológico, dentro do qual está a obra Ser e Tempo, tem como meta a elaboração do sentido do ser em geral. Em Ser e Tempo o objetivo, num primeiro momento é tornar transparente o ente analisado, o Dasein em seu ser. Para tanto, é desenvolvida uma analítica existencial desse ente em sua cotidianidade. O ser do existente humano é apresentado como sendo cuidado. Os momentos estruturais que o constituem são a existencialidade, a facticidade e a decadência. O primeiro momento da estrutura do cuidado indica que o Dasein precede-se continuamente, o segundo que ele é ser-em (um mundo) e o terceiro que ele enquanto ente se precede em um mundo, o faz enquanto ser junto a (outros entes). No entanto, o autor pergunta pelo que deve tornar possível que os momentos constituintes do cuidado formem um todo unitário. Heidegger pergunta-se pelo sentido do ser do Dasein. Esta é a tarefa da analítica existencial em um segundo momento na obra mencionada: apresentar o elemento que torna possível a unidade dos momentos constituintes do cuidado. Com esse intuito, Heidegger procura mostrar que os momentos que constituem o cuidado são eles mesmos modos de temporalização da temporalidade. Por conseguinte, o autor apresenta a temporalidade como aquilo que torna possível que as estruturas do cuidado formem um todo unitário. Assim, a temporalidade é apresentada como o sentido do ser do Dasein, i.e., do cuidado. Uma vez que as estruturas do cuidado são interpretadas temporalmente, podemos concluir que a temporalidade é usada como um modelo interpretativo a partir do qual o autor procura mostrar que as estruturas que constituem o cuidado formam uma unidade porque elas mesmas são temporais.
