O CONCEITO DO MAL: UMA INVESTIGAÇÃO A PARTIR DE HANNAH ARENDT
VALERIO LUIZ DE OLIVEIRA FILHO
- Autor
- VALERIO LUIZ DE OLIVEIRA FILHO
- Orientador(a)
- ADRIANO CORREIA SILVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS — UFG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2023
ESTA DISSERTAÇÃO CENTRA-SE NO TOTALITARISMO NAZISTA, E NOS EVENTOS OCORRIDOS NOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO E EXTERMÍNIO DO TERCEIRO REICH, PARA ESTABELECER, INDUTIVAMENTE, UMA ORDEM DE FENÔMENOS QUE POSSA EPITOMAR AQUILO PARA O QUE SE ATRIBUI O VALOR MAL. PARA ESSA INVESTIGAÇÃO, UTILIZA-SE COMO REFERENCIAL TEÓRICO A OBRA DE HANNAH ARENDT, TENDO EM VISTA RELACIONAR PRECISAMENTE O NAZISMO E SEUS CAMPOS DE MORTE COM O PROBLEMA DO MAL NA FILOSOFIA. NO PRIMEIRO CAPÍTULO, A DISSERTAÇÃO DEFENDE A HIPÓTESE DO “BEM” COMO QUALQUER SER DO MUNDO SENSÍVEL, COM SUAS RESPECTIVAS FUNDAÇÕES, E DO “MAL” COMO A VIOLAÇÃO DOS SERES E DE SUAS CONDIÇÕES DE POSSIBILIDADE. DEMONSTRA-SE QUE O “MAL RADICAL” ARENDTIANO, NO SENTIDO DE MAL EXTREMO, É UMA AVALIAÇÃO DE INTENSIDADE DESSAS VIOLAÇÕES. NO SEGUNDO CAPÍTULO, ANALISA-SE ALGUNS DOS PENSADORES COM OS QUAIS HANNAH ARENDT TRAVOU DIÁLOGO E, NO DECORRER DE SUA OBRA, IDENTIFICOU COMO OS REPRESENTANTES DA “TRADIÇÃO DO NOSSO PENSAMENTO”. TRABALHAR-SE-Á COM A HIPÓTESE DE QUE ESSA TRADIÇÃO, A SABER, A QUE PARTE DA GRÉCIA ANTIGA, PASSA POR AGOSTINHO E CHEGA AO “MAL RADICAL” KANTIANO, SEMPRE SE ANCOROU NA PRESSUPOSIÇÃO DE UMA ORDEM MORAL ORIGINARIAMENTE PRESENTE NO MUNDO E NOS SERES HUMANOS, A PARTIR DA QUAL O FENÔMENO DO MAL PODE SER INTERPRETADO COMO DESVIO. NO TERCEIRO CAPÍTULO, ARGUMENTA-SE, A PARTIR DA METÁFORA DA “TEIA DE RELAÇÕES” PRESENTE NA OBRA A CONDIÇÃO HUMANA, QUE O MAL NÃO É MERO DESCAMINHO EM RELAÇÃO A ALGUMA HARMONIA RACIONAL E COSMOLOGICAMENTE PREESTABELECIDA, MAS, AO CONTRÁRIO, É O ESTADO PARA O QUAL TENDEM A EXPERIÊNCIA E O ESPÍRITO HUMANOS QUANDO OS SERES NÃO SE RECONHECEM UNS AOS OUTROS, OS DIFERENTES “BENS”, NO ESPAÇO DA PLURALIDADE. DEMONSTRA-SE COMO O “BEM” DE CADA SER É FRÁGIL PERANTE UM POTENCIAL CONFRONTO COM OS DE TODOS OS OUTROS, E QUE, PORTANTO, O EQUILÍBRIO PLURAL E O RECONHECIMENTO MÚTUO ENTRE ESSES “BENS” CONSTITUEM O QUE FAZ A HUMANIDADE, ENQUANTO HUMANIDADE, POSSÍVEL. TAL EQUILÍBRIO, DEFENDE A DISSERTAÇÃO, NÃO É NATURAL, POISSE FRAGILIZA COM A FALTA DE CUIDADO POLÍTICO; OU, NAS PALAVRAS DE ARENDT, DE “CUIDADO COM O MUNDO”. E NA MEDIDA EM QUE A PRÓPRIA FORMAÇÃO DO HUMANO COMO PESSOA CAPAZ DE JUÍZO MORAL, E TAMBÉM A FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA DO MAL COMO VIOLAÇÃO DO OUTRO, DEPENDEM DE UM ARRANJO MUNDANO EQUILIBRADO E PLURAL O SUFICIENTE PARA POSSIBILITAR A PRESENÇA DESSE OUTRO NO EU, A “BANALIDADE DO MAL” SERIA A OUTRA FACE DA FRAGILIDADE DO BEM.
