O conhecimento do senso comum e os limites da inteligência artificial
FERNANDO CESAR PILAN
- Autor
- FERNANDO CESAR PILAN
- Orientador(a)
- MARIANA CLAUDIA BROENS
- Universidade
- UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO/MARILIA — UNESP/MAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
Neste trabalho investigamos o papel cognitivo e epistêmico do conhecimento do senso comum no âmbito das discussões contemporâneas acerca da mente. Além disso, analisamos em que medida o conhecimento do senso comum se coloca como um limite ao alcance dos modelos mecânicos da Inteligência Artificial (IA). Com tais objetivos, em um primeiro momento apresentamos a pseudodicotomia episteme/doxa assumida pela tradição filosófica, destacando a influência desta perspectiva em áreas contemporâneas de investigação da mente como a Ciência Cognitiva e a Inteligência Artificial. Como alternativa a este tipo de epistemologia dicotômica tradicional, explicitamos vertentes filosóficas defensoras de uma postura epistemológica continuísta, dentre as quais destacamos as propostas por Reid, Moore, Dewey e Ryle. Nestas vertentes, o conhecimento do senso comum é entendido como possuindo eficiente competência cognitiva em diversas atividades do conhecimento comum antes desconsideradas pela concepção intelectualista do conhecimento. Em seguida, na esteira das abordagens continuístas, analisamos as críticas de Dreyfus e Searle aos modelos tradicionais da Ciência Cognitiva e da Inteligência Artificial por sua ineficiência para desenvolver programas computacionais que manifestem conhecimento do senso comum. Defendemos que parte desta dificuldade se deve à incapacidade de tais modelos em desempenhar o papel decisivo da corporeidade nos processos cognitivos do conhecimento comum, incapacidade essa que a abordagem da Cognição Incorporada e Situada (CIS), especialmente nos trabalhos de Brooks , Clark & Chalmers, Thelen & Smith, Port & Van Gelder, Haselager & Gonzalez, procura superar ao levar em conta a relevância cognitiva de elementos como o corpo, sua interação com o mundo, a experiência, entre outras. No entanto, argumentamos que mesmo com os significativos avanços trazidos pela CIS, ainda encontramos dificuldades e limitações quanto à modelagem do conhecimento do senso comum no âmbito da IA. Essas dificuldades surgem porque o corpo biologicamente forjado possui capacidades cognitivas intrínsecas diretamente ligadas à especificidade de sua fisiologia e à plasticidade auto-geradora e de regulação ainda não contempladas nos modelos mecânicos.
