O conservadorismo de Donoso Cortés e o político como teologia. A recepção do pensamento conservador antidemocrata pela teoria da ditadura do século XX em Carl Schmitt
Roberto Bueno Pinto
- Autor
- Roberto Bueno Pinto
- Orientador(a)
- Luiz Felipe Netto de Andrade e Silva Sahd
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ — UFC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
O conservadorismo contrarrevolucionário de Donoso Cortés possui uma indelével marca teológica voltado à análise do político, declaradamente autoritário e comprometido com a ditadura. Esta inspiração na teologia do catolicismo Valdegamas a espraia sobre o político, visando analisar a legitimação e a justificação do uso da força. O objeto deste trabalho foi delimitado a segunda fase do autor, período em que foi analisado o grau e a intensidade com que a elaboração teológica do político projeta a sua teoria da ditadura e o seu autoritarismo. O passo metodológico seguinte foi o de interpretar Donoso em conexão com as forças intelectuais mais relevantes de seus dias e em contato com os eventos históricos significativos desde o último quarto do século XVIII. Isto serviu-nos como referencial teórico para realizar a análise da conexão donosiana com a cultura totalitária no século XX por intermédio da filosofia política schmittiana. A hipótese de que esta ligação subsistisse em alguma medida inspirou a análise da conexão discursiva entre a teoria teológico-política de Donoso, mediada por Schmitt, com duas claras vertentes históricas, de graus distintos e conceitualização diversa, a saber, o nacional-socialismo e o franquismo. O risco desta configuração reside fundamentalmente no descolamento da tradição que aposta na autonomia do ser humano para tornar-lhe dependente da autoridade, segundo estratégia desvinculada dos compromissos de fundo de uma de democracia heterogênea e tolerante mas, antes, apostando por uma unitária-homogeneidade como reitora da boa vida. Esta dissertação procurou traçar esta corrosiva linha argumentativa que desarticula os valores da boa sociedade livre pela via da consagração das vias do fortalecimento desmesurado do conceito de autoridade, tornando-a operativa em chave de infalibilidade, discurso facilmente assimilável em tempos de crise por regimes políticos autoritários.
