Dissertações

O desejo e a condição humana

Paulo Henrique Gomes de Seixas

Dissertação
Autor
Paulo Henrique Gomes de Seixas
Orientador(a)
DENIS LERRER ROSENFIELD
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2001
2001Paulo Henrique Gomes de Seixas. O desejo e a condição humana. 2001. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): DENIS LERRER ROSENFIELD.2

O objetivo da dissertação é realizar um estudo aproximativo entre Thomas Hobbes e Sigmund Freud, no tocante à vinculação desejo-condição humana através da noção hobbesiana de """"conatus"""" e da noção freudiana de """"pulsão"""". ..São poucos os estudos que exploram os vieses aproximativos entre Hobbes e Freud. Trata-se de um aspecto negligenciado pelos comentaristas de ambos os pensadores e esta omissão remete ao próprio Freud que não faz nenhuma referência explicita a Hobbes, não obstante utilizar-se de expressões originalmente hobbesianas como estado de natureza (especificamente na obra intitulada Futuro de uma Ilusão, cap. III) e exibir na sua obra como um todo uma inegável afinidade conceitual e metodológica com Hobbes...As noções de Conatus e Pulsão servem de fundamento para teses naturalistas de Hobbes e Freud por permitirem estabelecer uma vinculação conceitual entre os movimentos naturais dos corpos, os movimentos da mente (desejos e paixões) e os movimentos voluntários dos homens. ..A convergência temática entre conatus e pulsão é enfatizada segundo três recortes fundamentais:..Primeiro, as faculdades humanas compreendidas como poder cognitivo e poder motor estão vinculadas a uma série complexa de investimentos e contra-investimentos da ordem do desejo e este vínculo é fundante...Segundo, a razão e a consciência perdem seu lugar privilegiado e deixam de ser a fonte de certeza do Cogito. Não existe um acesso privilegiado a verdade e o conhecimento, como resultado da observação e do exercício racional, é um meio para se atingir o fim desejante. Razão é cálculo e, como tal, é faculdade de meios cujo fim é a realização do desejo. ..Terceiro, o Eu é, antes de tudo, um objeto primário do desejo de si próprio na sua ânsia auto-preservativa. A objetividade do Cogito não se fundamenta senão no próprio desejo. ..Está pressuposto aqui o substrato desejante a partir das noções primitivas de conatus e pulsão. A estruturação do pensamento, a deliberação para o agir e a construção das relações objetais com o mundo e com os outros acontece em função de necessidades desejante-passionais. ..A """"construção"""" das relações objetais, como uma estratégia com vistas a realização do fim desejante, serve de introdução para as teses naturalistas de filosofia política de Hobbes, para justificação da criação do Estado Soberano e o fundamento para sua tese contratualista. Trata-se de um viés que permite uma estreita aproximação com as teses """"sociológicas"""" de Freud, conforme desenvolvidas nas obras intituladas Mal-estar na civilização e O Futuro de uma Ilusão. ..A última parte da dissertação é intitulada Hobbes, Freud e seus críticos e procura desenvolver, em linhas gerais, a crítica desenvolvida por Hegel a Hobbes e por Paul Ricoeur a Freud. O autor procura chamar a atenção para a convergência entre a critica hegeliana a Hobbes e a critica de Ricoeur a Freud. ......Termos: movimento, conatus, pulsão, desejo, razão, Estado.