- Autor
- FLAVIO FONTENELLE LOQUE
- Orientador(a)
- JOSÉ RAIMUNDO MAIA NETO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
O objetivo desta dissertação é compreender detalhadamente o modo como o ceticismo da antigüidade foi apropriado pelos modernos na defesa da religião cristã. Por meio do estudo e delimitação dos conceitos-chave das vertentes pirrônica e acadêmica encontrados nas obras de Sexto Empírico e Cícero, verifica-se o papel de cada uma dessas correntes nas filosofias de Montaigne, Charron e Le Vayer. Tal verificação revela a ambigüidade da defesa cética da religião realizada por Montaigne e a coerência daquela feita por Charron, em contraste com a empreendida por Le Vayer, cuja singularidade deve-se à valorização inconteste do conceito pirrônico de equipolência, o qual implica um dilema em sua apologia do cristianismo: se sua argumentação serve para defender o cristianismo, ela também pode servir para defender qualquer outra religião. A consistência da defesa cética da religião requer, portanto, a ênfase sobre o preceito acadêmico segundo o qual algumas representações são mais aceitáveis ou verossímeis que outras, ênfase que explicita a importância da subjetividade na retomada moderna do ceticismo antigo, posto que não se dá em detrimento do preceito pirrônico de acolher os costumes tradicionais.
