O filósofo como médico da civilização: a linguagem como um phármakon na filosofia de Nietzsche
Paulo Cesar Carlos dos Santos
- Autor
- Paulo Cesar Carlos dos Santos
- Orientador(a)
- Tito Marques Palmeiro
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
A associação que procuramos fazer entre a linguagem na filosofia de Nietzsche e a idéia do termo grego phármakon nos apareceu quando da leitura de O Nascimento da Tragédia. Segundo Nietzsche, a origem da tragédia se deu na busca de realizar a união da embriaguês com a lucidez, numa experiência de simultaneidade dos impulsos artísticos apolíneo e dionisíaco. É nesse ponto que, para ele, se configura a função terapêutica da linguagem, como o principal elemento apolíneo a incorporar os impulsos dionisíacos através da união e harmonização do texto com a música. Mas por outro lado, Nietzsche atribui a Sócrates a responsabilidade pela decadência da arte trágica por meio da influência sobre Eurípides, traduzida na supervalorização da linguagem frente à música em suas peças, com a conseqüente perda da tensão dramática e da força artística, em virtude de uma maior clareza intelectual da história representada. O que para Nietzsche acaba por se tornar um veneno que veio a matar a tragédia antiga. Ou seja, a problematização nietzschiana acerca da origem e ocaso da tragédia sugere a idéia de que a primeira investida do racionalismo sobre a cultura grega se deu justamente sobre o domínio da linguagem. O nosso objetivo no presente trabalho é ampliar a análise de Nietzsche a respeito do papel da linguagem no nascimento e ocaso da tragédia grega a todo o percurso de sua filosofia, e com isso fazer uma releitura do seu pensamento a partir da sua concepção a cerca da linguagem.
