O Fundamento da Moralidade - uma análise acerca dos modos de explicitar a necessidade e a universalidade da lei prática na fundamentação da Metafísica dos Costumes de Immanuel Kant
Evandro Oliveira de Brito
- Autor
- Evandro Oliveira de Brito
- Orientador(a)
- Mario Ariel Gonzáles Porta
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Valor Absoluto da boa vontade, valor moral do dever e valor absoluto da racionalidade são noções diferentes que tem a mesma função na obra kantiana Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Nosso trabalho consiste em explicitar o uso destas três noções na estratégia Kantiana de fundamentar a moralidade. Assim, apresentamos estes conceitos relacionados a três argumentos específicos nos quais eles exercem as mesmas funções. A saber: indicar a necessidade e universalidade da atividade prática da razão pura chamada boa vontade... O primeiro argumento delimita o âmbito da moralidade, restringindo-o exclusivamente á atividade da vontade. Trata-se da primeira frase do texto, onde Kant afirma que """"não é possível conceber coisa alguma no mundo, ou mesmo fora do mundo, que sem restrições possa ser considerada boa, a não ser uma boa vontade"""". Assim, a moralidade identifica-se à boa vontade, pois consiste na única coisa que pode ser concebida como incondicionadamente boa e dotada de valor absoluto. Este argumento retira do senso comum a idéia de valor absoluto da boa vontade e utiliza-a para indicar que o fundamento universal e necessário da moralidade não pode ser encontrado na efetiva realização das ações ou em alguma determinação transcendente. Mas, dado que a própria boa vontade comporta um valor absoluto, seu fundamento universal e necessário deve ser encontrado em sua própria atividade, ou seja, na atividade prática da razão pura chamada boa vontade. ..O segundo argumento estabelece que o valor moral de uma ação praticada por dever é um efeito resultante exclusivamente da atividade volitiva que, ao querer uma ação, põe-se em contrariedade com as inclinações. Assim, a noção de valor moral do dever indica que o fundamento universal e necessário da moralidade tem um caráter puro e, por isso, só pode ser conhecido a priori pela razão. Assim como no primeiro argumento, a análise do conceito de valor moral do dever é uma estratégia para explicitar a necessidade e a universalidade da moralidade indicada pela idéia de valor absoluto da boa vontade. Embora Kant assegure que o conceito de dever é um conceito mais amplo, a análise deste conceito também conduz ao reconhecimento da origem do fundamento do valor absoluto da boa vontade atribuído à moralidade...Finalmente, há ainda uma outra função exercida pela noção de valor absoluto. No terceiro argumento, a noção de valor absoluto está relacionada à racionalidade e tem a função de indicar que razão possui um fim em si mesma. Assim, o valor absoluto da racionalidade indica que antes de deixar-se determinar por qualquer fim estabelecido pela inclinação e por consistir na atividade prática da razão pura, a vontade toma sua própria racionalidade com princípio determinante da ação. Em ouras palavras, o valor absoluto da racionalidade indica o fato de que a atividade de querer, própria dos seres racionais, não está condicionada a nenhum outro fim que ela mesma. Assim, a noção de valor absoluto da racionalidade indica o princípio fundamental para que Kant possa explicitar a universalidade do imperativo categórico encontrada na autonomia da vontade dos sujeitos racionais...Portanto, nosso trabalho toma a utilização destas três noções como fio condutor argumentação kantiana Pois, entendemos que estas noções são utilizadas para explicitar a necessidade e universalidade prática do fundamento da moralidade.
