O guia empírico e a matematização da percepção. Uma análise da doutrina das sensações na Crítica da Razão Pura.
Fabian Scholze Domingues
- Autor
- Fabian Scholze Domingues
- Orientador(a)
- João Carlos Brum Torres
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
A doutrina das sensações é um assunto relativamente pouco estudado pela tradição de comentários a Kant. Kant também não dedicou muitas linhas para explicitar tal doutrina. Apesar disso, a compreensão dessa doutrina desempenha um papel central na explicação do modo como as atividades do entendimento se guiam pelo que é dado na experiência. Frente à novidade da Estética Transcendental, alguns comentadores consideram que as sensações não possuem papel cognitivo na Critica da Razão Pura, e, com isso, elas não fornecem uma explicação convincente para a ligação entre o que é especificamente empírico no objeto da percepção e as atividades do entendimento. Se as sensações não possuem estatuto cognitivo, o entendimento não pode se guiar pelo que é dado na experiência. Como sair deste embaraço? Kant reconheceu que as sensações possuem um papel importante na explicação do conhecimento empírico, que, embora negligenciado nos textos da Estética Transcendental, é explicado em grande detalhe na Analítica dos Princípios. Nas Antecipações da Percepção, Kant considera que o objeto de sensação pode ser sempre mensurado em termos de graus de intensidade. Mediante um juízo, o entendimento deve poder mensurar o dado sensível e, assim, relacionar uma certa propriedade empírica a um conceito. O conceito que Kant utiliza para expressar a determinação positiva e verdadeira do pensamento no momento da apreensão sensível é o conceito puro do entendimento: realidade. O real do fenômeno é o guia empírico, pois representa a determinação empírica compreendida pelo entendimento. Como o dado sensível é mensurável pelo entendimento, a teoria da percepção de Kant implica a matematização da percepção. Com o esclarecimento desta teoria, compreende-se melhor a relação entre a filosofia transcendental, a percepção ordinária e a concepção de ciência de Kant.
