O Homem trágico: considerações sobre o homem enquanto conflito no primeiro Nietzsche e no último Freud
Valéria de Angelo Ghisi
- Autor
- Valéria de Angelo Ghisi
- Orientador(a)
- Francisco Verardi Bocca
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Críticos de seu tempo, mas nem por isso fora dele, Nietzsche e Freud operam a necessária ruptura com a tendência socrática na medida em que dão voz aos conteúdos inconsciente e pulsionais fundamentais no homem. A crítica à consciência e à racionalidade como formas humanas privilegiadas imprimem o caráter subversivo e polêmico das obras nietzscheanas e freudianas. Na consideração do homem enquanto artífice de si mesmo, simultaneamente autor e ator de seu destino, o trágico se apresenta como ponto de ligação entre os discursos de Nietzsche e Freud. Ao afirmarem a duplicidade pulsional, incessante jogo de vida e morte no qual se implica um eterno devir, encontramos, em nossos autores, a ética trágica da aceitação e da afirmação incondicional da vida. Não se trata da opção por uma teoria pessimista ou otimista, tão pouco se trata de eleger a razão ou o inconsciente como emblema. O que encontramos na tragédia, e aqui indicamos ser uma consideração compartilhada por Nietzsche e Freud, é o conflito como algo próprio ao humano. Nem um deus, que tudo conhece e controla, nem um puro objeto de suas pulsões inconscientes; o homem é habitado pelo conflito e na capacidade de representação encontra a possibilidade de traduzir sofrimento em arte. Esta é a aposta de Nietzsche, a tragédia como domesticação do bárbaro dionisíaco. É esta também a, sempre renovada, aposta freudiana com seu método de cura pela palavra.
