O horizonte do diálogo e a experiência hermenêutica: de Heidegger a Gadamer
Rodrigo Eder Zambam
- Autor
- Rodrigo Eder Zambam
- Orientador(a)
- Mario Fleig
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
A presente dissertação aborda teoricamente traços importantes para a fundamentação da hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer. Trata-se de um trabalho sistemático sobre essa importante corrente teórica com base na obra Verdade e Método, na qual estão os principais fundamentos da teoria gadameriana. Os questionamentos presentes nessa teoria filosófica possuem fortes influências do pensamento de Martin Heidegger e de toda a crítica apresentada ao modelo subjetivista de filosofia presente na modernidade. Sendo assim, o desenvolvimento da crítica heideggeriana é importante para o entendimento da hermenêutica filosófica no que diz respeito às influências na construção e na novidade que Gadamer apresenta na sua filosofia que extrapola a teoria existencial de Heidegger. A condição finita do ser humano, marcado pela temporalidade e pela historicidade, características próprias de sua existência, contribuem para a crítica à hermenêutica moderna feita por Gadamer e para o novo papel da hermenêutica. A hermenêutica deixa de ser um instrumento de interpretação de textos clássicos passando a ser uma experiência ontológica. O ser humano é marcado por sua condição finita, fato que constitui a estrutura prévia da compreensão desenvolvida por Heidegger que Gadamer denomina de pré-conceitos. Esses orientam o intérprete no constante movimento hermenêutico, que está sempre aberto a novas experiências. Nessas experiências, a distância temporal não prejudica a interpretação, mas faz parte da condição finita desse movimento interpretativo, colocando o intérprete dentro do tempo e da história. Essa experiência ontológica é denominada por Gadamer de fusão de horizontes. De posse dessa estruturação teórica, Gadamer fundamenta, através da dialética platônica, da estrutura dialogal, o lugar da efetivação da experiência hermenêutica. A mencionada experiência contém toda a condição finita e se efetiva na linguagem, lugar da manifestação do ser. É no movimento aberto e contínuo, presente na interpretação hermenêutica, que a linguagem se dá, estando nela toda a temporalidade e a historicidade. De acordo com Gadamer, a hermenêutica se efetiva nesse movimento finito, na constante busca pela compreensão, marca da finitude humana. Essa proposta carrega, na sua base argumentativa, o rompimento com a corrente moderna de filosofia, considerando a verdade, fora da estrutura metódica e dentro do movimento lingüístico, na busca pelo sentido do ser.
