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Dissertações

O Idealismo Transcendental: fenômenos e coisas em si mesmas

José Ademar Arnold

Dissertação
Autor
José Ademar Arnold
Orientador(a)
Silvia Altmann
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012José Ademar Arnold. O Idealismo Transcendental: fenômenos e coisas em si mesmas. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Silvia Altmann.2

O objetivo de nosso trabalho é apenas mostrar, em linhas gerais, como se dá o debate sobre a distinção transcendental kantiana dos objetos como fenômenos e coisas em si mesmas, analisando os problemas e consequências de cada uma dessas interpretações. Para isso, utilizamos alguns dos debates mais recentes da literatura filosófica sobre Kant. Por um lado, mostramos a interpretação de Paul Guyer, que é um dos defensores da """"teoria dos dois mundos"""", que defende que essa distinção é de natureza ontológica, fazendo com que fenômenos e coisas em si mesmas fossem duas classes distintas de entidades, onde os fenômenos seriam apenas representações mentais e as coisas em si mesmas seriam os objetos reais do mundo. Constamos que essa leitura é problemática ao idealismo kantiano, pois teria como um dos resultados que só conheceríamos as nossas representações e nada de objetivo desse mundo. Num segundo momento, mostramos a interpretação de Henry Allinson, defensor da """"teoria do duplo aspecto"""", que defendem que a distinção transcendental kantiana é de aspecto e não de tipos ou entidades de objetos. Esta leitura, embora supere as dificuldades enfrentadas pela leitura de Guyer, faz com que seja necessário introduzir dois níveis de consideração: o empírico, no qual coisas em si (objetos do mundo) e fenômenos (Scheine representações) são duas coisas distintas e o nível Transcendental,no qual são apenas modos de considerar uma mesmas coisa. Por fim, tratamos da interpretação de Gerson Louzado em sua tese de doutorado, onde mostra que as Scheine não são representações mentais. Para isso, partimos da tábua do nada e da diferenciação dos conceitos quanto ao gênero e espécie, onde acabamos mostrando que o conceito de coisa em si é o gênero de fenômeno e noumeno positivo. Para Louzado, a distinção fenômenos-coisas em si mesmas não implica que haja dois níveis da distinção, sendo que no nível empírico a distinção é entre duas “entidades”, tal como Allison propõem, pois as Scheine não são outra coisa que os erros judicativos quando tomamos em si o que era para ser para nós. Ao explicar a ilusão no caso das Scheine como consistindo em um certo erro judicativo, temos um “modelo” de atribuição de propriedades cujo desenvolvimento permitiria, parece-nos, compreender melhor, por contrapartida, a abstração que estaria envolvida na passagem da consideração do objeto como fenômeno para sua consideração como coisa em si.