O INFINITO NO FINITO A INTRIGA ENTRE A ÉTICA COMO FILOSOFIA PRIMEIRA E A QUESTÃO DE DEUS NO PENSAMENTO DE EMMANUEL LEVINAS
Suelen Nery dos Santos
- Autor
- Suelen Nery dos Santos
- Orientador(a)
- Ulpiano Vazquez Moro
- Universidade
- FACULDADE JESUÍTA DE FILOSOFIA E TEOLOGIA — FAJE
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
O objetivo da presente dissertação é estudar a análise da questão de Deus à maneira como foi articulada pelo filósofo Emmanuel Lévinas. Na metafísica levinasiana, a primazia não é do ser. Sendo assim, há que se perscrutar o desafio de repensar a temática por meio daquilo que ele pensa como filosofia primeira, a saber, a ética. A proposta de pensar por outra via que não a tradicionalmente utilizada propõe a anterioridade do ser em relação ao pensamento, colocando-o em um impasse segundo o qual não é ele quem dita regras ou exerce domínio em uma relação de captação sujeito-objeto. A relação do homem com o ser não é unicamente ontologia; e a relação do homem com o outro homem abriga uma intriga ética que irrompe da ideia de criação. Na aparente crise em que tal situação parece estar, o que ocorre é uma anarquia em relação ao mundo, mas também ao tempo, já que esta é uma estrutura que Lévinas também se propõe a refletir. A subjetividade humana, apesar de sua interioridade, mostra-se em uma parceria com a ideia do Infinito – herança cartesiana ao pensamento do filósofo posto – e de acordo com essa mesma ideia, apesar do “in” do Infinito, há uma exterioridade radical, que pode ser dita transcendência e que o filósofo se propugna a significar não como distância absoluta, mas como anterioridade, “passado imemorial”, que se estende como responsabilidade pelo outro humano, próximo, rosto. O direcionamento a ele é desejo que, contraposto à necessidade, mostra-se como “fome infinita” porque direcionado e em direção do Infinito inscrito como vestígio do rosto de outrem. O filósofo afirma a relação ética como religião do humanismo, mas “humanismo extremo de um Deus que pede muito ao homem”. Unicamente o que Lévinas chama de antropologia heterológica é que torna possível o falar de Deus – pensamento cujo desenvolvimento é desafiante.
