O Jovem Marx e o replublicanismo, a questão da liberdade e da emancipação humana.
Jairo Marçal
- Autor
- Jairo Marçal
- Orientador(a)
- Cesar Augusto Ramos
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ — UFPR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
RESUMO..Esta pesquisa tem por objetivo demonstrar que a emancipação humana constitui a questão nuclear da filosofia política do jovem Marx e, também, que esta idéia está profundamente relacionada às principais teses republicanas, ainda que Marx não se filie a essa corrente. Dentre as teses republicanas destacam-se a idéia de liberdade como não-dominação; a preponderância dos interesses públicos em relação aos interesses privados; a crítica ao liberalismo; a valorização da retórica enquanto criação e desenvolvimento de uma linguagem e de um pensamento político; a virtude cívica (virtù); a educação cidadã como fundamento da vida em sociedade e a participação ativa na esfera pública. A interpretação de Marx, neste trabalho, acontece a partir da sua relação com a tradição da filosofia política que remonta a Aristóteles, ao humanismo cívico, Maquiavel, Hobbes, Espinosa, Rousseau, Hegel, hegelianos de esquerda, liberais e republicanos. Trata-se, portanto, de uma interpretação não ortodoxa do jovem Marx. A análise percorre os textos do jornalismo filosófico-político de 1842, através dos quais Marx defende um Estado ético na perspectiva hegeliana, passando pela Crítica da Filosofia do Direito de Hegel de 1843, na qual o autor defende uma democracia radical, indo até A Ideologia Alemã (1846), quando Marx assume a perspectiva da crítica da economia política e do comunismo. Argumentamos que não houve ruptura entre as fases do pensamento do jovem Marx, mas uma superação de posições na busca da efetivação do seu projeto original da emancipação humana. Nesse sentido, Marx busca a superação do aspecto formal do Estado, na direção de uma democracia radical. Essa posição, fundamentalmente republicana, assume outros contornos, quando Marx apresenta o comunismo como alternativa para a efetivação da emancipação. O traço comum entre Marx e Hegel é a busca da restituição ou da re-criação da essência humana, perdida no individualismo possessivo e egoísta da modernidade. Já o confronto entre os dois filósofos tem como fundamento a concepção de soberania: para Hegel, a soberania do Estado, para Marx, a soberania popular. A crítica de Marx ao estado de direito burguês e a certos aspectos da filosofia do direito hegeliana parte da sua conclusão de que a sociedade civil não pode sustentar-se num Estado que se estrutura na alienação ou que apenas reivindica a Idéia de liberdade, mas sem interesse ou condições de efetivá-la. A crítica de Marx ao liberalismo o aproxima do republicanismo e não significa a renúncia da idéia de liberdade individual, mas sim do seu fortalecimento e, para tal, faz-se necessário incorporá-la a um projeto político, com fundamentação ética, que a viabilize e a estenda à totalidade da sociedade pela prática do princípio democrático e republicano do autogoverno, o que implica no resgate da participação das pessoas na vida política, como garantia da sua liberdade em oposição às formas de dominação....Palavras chave: liberdade, emancipação, alienação, republicanismo, liberalismo, cidadania, política, democracia. .RESUMO
