- Autor
- NAPOLEÃO SCHOELLER DE AZEVEDO JUNIOR
- Orientador(a)
- Fernando Pio de Almeida Fleck
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
RESUMO.Segundo Santo Tomás de Aquino, o universo foi criado por um Deus onipotente, onisciente e perfeitamente bom. Dada a perfeição do criador, seria de se esperar que o universo criado fosse perfeito. Porém, pode ser perfeito um universo que contenha males? Poderia um Deus perfeitamente bom criar algo em que haja mal? Mais do que isso, dado esse universo existente, onde muitas coisas são feridas pelo mal, ainda seria possível sustentar que tal Deus existe, ou um exclui o outro necessariamente?.Nesta dissertação pretendo demonstrar que é possível que um Deus onipotente, onisciente e perfeitamente bom tenha criado um universo em que haja males, apoiando essa demonstração na obra de Santo Tomás de Aquino. Para isso, expliquei o que Santo Tomás entende por “universo” e procurei determinar o que é e quais são as causas do mal, mostrando que a existência do mal não é contraditória com a existência de Deus..Viu-se que o universo é um todo ordenado e unificado e que, em relação às coisas criadas, o bem principalmente querido por Deus é o bem da ordem do universo. Analisando a relação que há entre a perfeição do universo com a diversidade das criaturas que o compõe, pode-se concluir que a desigualdade entre as criaturas contribui para a perfeição do universo, na medida em que o diversifica..O mal, definido como sendo uma privação, foi distinguido em mal secundum quid e mal simpliciter, mal físico e mal moral, mal de pena e mal de culpa. Sobre o mal moral, pretendi, entre outras coisas, mostrar que, na sua origem, está um certo defeito da vontade, defeito este que não é um mal..Por fim, analisei a relação entre Deus e o mal, determinando em que medida faz sentido dizer que Deus é causa do mal. Pretendi mostra que Deus, ao causar o bem da ordem do universo, pode causar alguns males. Nesse sentido, foi afirmado que o mal físico e o mal de pena podem ser queridos acidentalmente por Deus, na medida em que Ele quer o bem do todo. Porém, o mal de culpa (ou moral) Deus não quer nem por acidente, mas apenas o permite. Sendo assim, analisei a diferença entre afirmar que Deus quer por acidente certos males e afirmar que Deus permite outros.
