O NÃO-SER E O SIMBÓLICO NAS PRIMEIRAS OBRAS DE MERLEAU-PONTY
Mariana Cabral Tomzhinsky Scarpa
- Autor
- Mariana Cabral Tomzhinsky Scarpa
- Orientador(a)
- Luiz Damon Santos Moutinho
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ — UFPR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
Para delinear a gênese do simbólico em Merleau-Ponty, percorremos em suas obras.iniciais, A estrutura do comportamento e Fenomenologia da percepção, os elementos que.apontam para o surgimento desta ordem e suas implicações na filosofia do autor..Primeiramente, compreendendo a divisão realizada pelo filósofo francês em três grandes.estruturas, a física, a vital e a humana, bem como o envolvimento destas ordens com o.plano do simbólico. A partir daqui, a presente leitura diverge de alguns comentadores no.que tange a abrangência deste novo campo, pois o simbólico para uns, é exclusivo do.humano, quando no próprio Merleau-Ponty ele se inicia no plano da adaptação.(instrumental) do animal ao seu meio. Assim, veremos a diferença existente entre o campo.simbólico que se abre ao animal e o que torna possível ao humano uma multiplicidade.perspectiva. Tal ganho humano será realizado não por uma consciência constituinte do.mundo, ele virá como movimento do corpo em direção a um mundo que ele nunca abarca,.mas que ele não deixa de vivenciar. Num segundo momento, carece entender o papel que o.corpo ocupa na filosofia de Merleau-Ponty e contra que perspectivas ele surge. Tendo em.vista a necessidade do autor de superar a dicotomia clássica entre sujeito e objeto, signo e.significação, alma e corpo; o corpo assumirá o privilégio de ser o sujeito da percepção, o.veículo do ser no mundo. Desta forma, o corpo deve possibilitar a imbricação destas esferas.antes opostas, ele deve permitir a assunção paradoxal do ser “para-nós” e “em-si”, se.expressando como corpo simbólico. Mas será justamente no retorno à experiência.primordial de expressão, neste movimento de abertura para o novo, que uma certa.“polarização” é requerida para que se dê o nascimento do sentido, e esta abertura será.exposta por Merleau-Ponty como “não-ser”. Neste momento a Fenomenologia da.percepção pode ser levada a um impasse, pois a postulação de um não-ser instaura uma.dupla interpretação no discurso merleaupontiano. De um lado, podemos compreendê-la.como inerente ao movimento de expressão criadora, pois para que o novo se engendre é.preciso manter uma distância que não seja reconhecida como completa exterioridade e nem.mesmo como suporte interior; desta forma, o não-ser seria entendido como uma abertura.necessária no âmbito da própria temporalidade, sendo aquilo que impede a expressão de se.fixar totalmente, possibilitando o surgimento de significações autênticas. Por outro lado, tal.postulação pode ser entendida como reveladora de um impensado em Merleau-Ponty..Como se esta postulação reabrisse o dualismo por meio de um resquício de idealismo que.exige ainda a presença de um si indeclinável, uma vez que este não-ser seria compreendido.ainda como uma interioridade por meio da qual a experiência é organizada. Por fim, ao.tentarmos compreender o movimento temporal, fundamento de todas as descrições.merleau-pontianas, é que poderemos entender qual é o sentido que o filósofo confere a esta.noção de não-ser (ou de vazio, por oposição a um ser pleno), tendo em vista o projeto de.uma fenomenologia da percepção. E com isso, poderemos descobrir se há realmente criação.na Fenomenologia da Percepção de Merleau-Ponty ou se tudo já está dado de antemão.
