O Outro e o Mesmo: o tema da representação e o estatuto das ciências humanas em AS PALAVRAS E AS COISAS
Celso de Jesus Silva
- Autor
- Celso de Jesus Silva
- Orientador(a)
- Sílvia Faustino de Assis Saes
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
Este trabalho pretende averiguar como a teoria cartesiana da representação e a analise das ciências humanas se inserem na principal obra de Michel Foucault referente à arqueologia do saber, qual seja, AS PALAVRAS E AS COISAS (1996). Essa obra, juntamente com os demais livros e textos que dão forma à análise arqueológica, focaliza e privilegia a formação de saberes e de ciências específicas a partir da Renascença até a modernidade. No entanto, o estudo empreendido nesse livro não se propõe a realizar uma teoria geral sobre as ciências nem tão pouco uma “sistemática” história dos saberes, mas uma análise ou mesmo um recorte, um estudo denominado por Foucault de “arqueologia”, a qual objetivou estabelecer as configurações que possibilitaram o aparecimento de determinados conhecimentos a partir do enfoque privilegiado na emergência das ciências humanas no interior das quais o “homem” emerge como objeto central do seu domínio, o que somente na época moderna se evidenciou. O tema da representação e a análise da constituição das ciências humanas articulam-se claramente em AS PALAVRAS E AS COISAS no interior da análise de dois períodos históricos específicos: o classicismo e a modernidade. Anda que o período da Renascença também seja analisado, a ênfase é dada a essas duas épocas, enfatizadas paulatinamente no livro de Foucault, isto é, ao reconstruir a arquitetura epistemológica do saber ocidental nos séculos XVI (fins), XVII, XVIII XIX, XX e os discursos subjacentes às ciências analisadas no livro em questão, o filósofo tomou como parâmetro principalmente a análise da teoria da representação (Idade Clássica) e as ciências humanas (Idade Moderna). O surgimento da representação é marcado pelo fim do Renascimento (caracterizado pelo saber das semelhanças) e seu desaparecimento é assinalado pelo “nascimento do homem” na modernidade. Essa é a dinâmica das rupturas entre essas duas epistemes esboçadas em AS PALAVRAS AS COISAS. Enquanto período clássico é pensado através das teorias da linguagem, da história natural e da análise das riquezas, vinculadas à teoria da representação, a modernidade é relacionada ao surgimento da filologia, da economia, da biologia e das ciências humanas (dois humanismos da reflexão antropológica da filosofia de Kant e Nietzsche). Percorrendo este caminho delimitado por Foucault, buscaremos entender de que forma essas noções se ajustam ao método arqueológico, mais especificamente como elas se inserem na obra que é o elemento principal tanto para nosso trabalho como para o método de Foucault.
