O outro e o tempo - Alteridade e temporalidade no pensamento ético de Emmanuel Levinas
GIOVANA DALMÁS
- Autor
- GIOVANA DALMÁS
- Orientador(a)
- Ricardo Timm de Souza
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2001
O pensamento ético-filosófico de Emmanuel Levinas (1906-1995), de que nos ocupamos neste trabalho, atenta com ênfase especial ao entrelaçamento indissociável entre razão e presente e a impossibilidade de, nos termos do conhecimento, tomar a diferença como diferente e exterior - antes e suportante da atividade racional. ..Aquilo que possibilita não apenas à razão instrumental seguir em seu fluxo com pretensões ilimitadas, mas a própria constituição de uma certa subjetividade como identidade, relaciona-se, em larga medida, ao instante presente em que ambas se constituem e de que não podem, solitariamente, sair: trata-se menos de uma razão desvirtuada de seu traçado original e tornada instrumento: a possibilidade da razão, enquanto ignora seu sentido temporal radical, corre o risco de reduzir-se a uma atividade instrumental e estranhada de seus limites, incapaz de justificar-se na crítica que leva ao além do saber e à desmistificação do real, que, por vezes, o próprio predomínio da razão fixada no seu presente tornou indiferenciado e unívoco. ..A ética como filosofia primeira, em Levinas, sustenta-se na implicação indissociável entre tempo e alteridade, quando a subjetividade só pode ser pensada, em seu sentido próprio e singular, desde a responsabilidade que a constitui como mantenedora da plurivocidade do real (a violência contra toda diferença real não terá o status de um desvirtuamento da razão, e de seu conteúdo racional, mas o perigo sempre possível de seu próprio aniquilamento). O relevo do trabalho está neste ponto especial: pensar o sentido do surgimento de um sujeito em sua relação com o tempo, assim como a possibilidade de abandoná-lo e totalizar-se no instante da identidade; mas pensa também as possibilidades de assumir a precariedade do imprevisível, do Infinito, do tempo, e abrir-se à eleição da Justiça - à relação ética.
