O padrão do gosto na filosofia de Hume: um argumento e os seus aspectos
Rafael Fernades Barros de Souza
- Autor
- Rafael Fernades Barros de Souza
- Orientador(a)
- JOSÉ OSCAR DE ALMEIDA MARQUES
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
“Do padrão do gosto” pertence a um gênero investigativo clássico. Pode-se classificá-lo ao lado daquelas obras que discutem o que é a beleza (questão essa que aparece desde os tempos mais remotos na filosofia); mais particularmente, o que conta para as belezas das artes mais finas, digamos, para aquelas da literatura. E é também um dos textos mais eminentes de uma das discussões mais características do século XVIII britânico, qual seja, como considerar a nossa capacidade de perceber belezas ou o que é o gosto. Ou seja, o ensaio está ligado a tradições bastante fortes entre nós. Acredito que o ensaio seja um belo exemplar de argumentação copiosa, tendo produzido uma enorme variedade de leituras, e deixado muitos leitores simplesmente perplexos. Não apenas isso, o seu argumento é tal que parece incorrer no tratamento de uma série de questões, procedentes de diferentes “lugares”, pelo menos é essa a impressão que passa a literatura ao seu respeito. Assim, o desafio que se coloca para qualquer leitor seu é descobrir quais são as questões mais relevantes e significativas, como elas entram na argumentação, até que ponto elas são desenvolvidas e com qual finalidade; pois não é de se supor que todas elas tenham um igual destaque ao longo do argumento, ainda que talvez se ligassem a algum outro interesse que justificasse que fossem trabalhadas a partir do ensaio. Com essa observação, gostaria de chamar a atenção para o fato de que esse é um texto que pode e deve ser pensado a partir de várias questões, mas é igualmente importante de se lembrar que algumas dessas devem ser mais representativas de seu argumento do que outras. Ora, a minha intenção é indicar quais seriam tais questões, e para justificar as minhas escolhas, mostrarei como elas conferem ao ensaio uma estrutura argumentativa, e vice-versa, como uma ou outra maneira de se estruturá-lo permite pensar em umas ou outras questões; isso, é claro, requer que se determine quais seriam as suas partes constitutivas e de como elas poderiam estar relacionadas, assim como um poder reconhecer essas questões, nomeá-las e apresentá-las.
