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Dissertações

O PAPEL DA SIMPATIA NAS DISTINÇÕES MORAIS:UMA LEITURA HUMEANA NUMA PERSPECTIVA EVOLUCIONISTA

Matheus de Mesquita Silveira

Dissertação
Autor
Matheus de Mesquita Silveira
Orientador(a)
Adriano Naves de Brito
Universidade
UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2010
2010Matheus de Mesquita Silveira. O PAPEL DA SIMPATIA NAS DISTINÇÕES MORAIS:UMA LEITURA HUMEANA NUMA PERSPECTIVA EVOLUCIONISTA. 2010. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS, RS. Orientador(a): Adriano Naves de Brito.2

Meu objetivo é apresentar uma descrição naturalizada do fenômeno moral. Defenderei esse posicionamento apresentando uma possível relação existente entre a aptidão social de certas espécies animais, dentre elas, o ser humano, e a sua capacidade de realizar distinções de cunho moral. Parto do problema central da filosofia prática humeana, que é o de determinar qual o princípio pelo qual são realizadas as distinções morais. David Hume, nas obras Tratado da Natureza Humana e Investigações sobre os Princípios da Moral, coloca o princípio da utilidade como o que se encontra no fundamento das distinções desta natureza, sendo bom aquilo que é útil para a sociedade e ruim o que lhe é prejudicial. Aqui está o ponto central para se compreender porque, para Hume, os sentimentos, influenciados pela qualidade natural da simpatia, são centrais à moralidade, uma vez que eles constituem o elemento norteador para definir o que é ou não útil ao convívio social. No momento em que o sentimento constitui um elemento central dentro de uma proposta de naturalização do fenômeno moral, buscarei compreender se sua origem é natural ou advinda da cultura. Charles Darwin, na obra A Origem das Espécies apresenta a teoria sobre da seleção natural, explicando o modo como surgiram e se desenvolveram as características naturais presentes nas mais variadas espécies. O autor, em A expressão das emoções no homem e nos animais, diz que a habilidade de sinalizar sentimentos, necessidades e desejos foram fundamentais à sobrevivência de espécies que tem no convívio social uma importante vantagem evolutiva. Apresentar o vínculo entre sentimentos e o modo como são realizadas as distinções morais e mostrar que não somente os seres humanos, mas outras espécies de animais sociais realizam estas distinções de modo semelhante, parece constituir um forte argumento em favor de uma teoria que explique o fenômeno moral em bases naturais. Defenderei que a qualidade natural da simpatia faz com que certos sentimentos adquiram força moral, uma vez que os interesses dos membros de determinado grupo convergem para um lugar comum, fazendo com que estes percam sua característica individualista, transformando-se num interesse social, onde o que é bom para um é o que será bom para todos.