O Pensamento Dissonante: Schopenhauer, Wagner, Nietzsche e o Nascimento da Filosofia Musical.
JORGE CHAVES DE MORAES
- Autor
- JORGE CHAVES DE MORAES
- Orientador(a)
- ROBERTO CABRAL DE MELO MACHADO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Este escrito aborda um momento em especial da relação entre música e filosofia, o momento em que Schopenhauer, Wagner e Nietzsche tentaram realizar uma filosofia musical. De Platão a Kant isso não seria possível, a arte musical era vista nesse período apenas como um objeto colocado sempre em segundo plano, estudado sempre à luz da moral, da matemática e da linguagem, portanto, sempre a partir de instâncias consideradas racionais. Com o romantismo alemão essa antiga posição se modifica e as artes em geral assumem um novo papel, passariam a ser uma extensão da própria filosofia. Nesse contexto, Schopenhauer foi o primeiro a tentar estabelecer com a música um sistema filosófico. Mas ele falha por tentar adaptar a arte musical às necessidades de um sujeito puro do conhecimento. Richard Wagner, anos depois, se ocupando da mesma questão em seu livro Beethoven, mostra o caráter arrebatador e transfigurador da música e assim se aproxima bem mais de uma filosofia musical. Mas logo em seguida ele sucumbe ao colocar a arte musical, mais uma vez, em segundo plano: a serviço da religião. Neste sentido, para ser de fato uma filosofia, isto é, um pensamento autônomo, a música precisaria se converter em um ponto-de-vista rigoroso o suficiente para inverter os papéis e transformar todo o pensamento teórico em objeto dessa nova filosofia, da filosofia musical. Todavia, isso apenas ocorreria plenamente no pensamento de maturidade de Nietzsche, portanto, depois dele se desvencilhar tanto de Wagner, quanto de Schopenhauer.
