Dissertações

O Pensamento Ético em Epicuro

Jean Dionisio Braatz

Dissertação
Autor
Jean Dionisio Braatz
Orientador(a)
Jamil Ibrahim Iskandar
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2007
2007Jean Dionisio Braatz. O Pensamento Ético em Epicuro. 2007. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ, PR. Orientador(a): Jamil Ibrahim Iskandar.2

O epicurismo surgiu em oposição ao quadro sócio-político que se instalara no mundo grego pouco antes do nascimento de Epicuro. Segundo ele, os homens não mais eram felizes na pólis. Preocupado com a situação, Epicuro tratou de diagnosticar a causa da infelicidade: como poderiam ser felizes homens amedrontados pelos deuses e pela morte e entregues a desejos vãos e perturbadores? Definidas as causas, traçou seu plano de ajuda aos homens: deveria mostrar a eles que as coisas nas quais acreditavam não passavam de ilusões e que a forma como conduziam suas vidas estava equivocada. Disso resultaram escritos relacionados à canônica, à física e à ética, sendo esta última o cerne do epicurismo. A canônica ensina que não se deve acreditar em nada que não se possa perceber ou inferir por meio dos sentidos: nela os mitos e as superstições começam a ser desvelados. A física se ocupa de explicar que os deuses não são os arquitetos do mundo, que eles não se preocupam com os homens e que não existe nenhuma espécie de inferno para castigar os mortos: com isso os temores de uma providência divina e da morte são combatidos. E a ética estabelece as normas de conduta humana que apregoam uma vida entre amigos, a superação das dores físicas e o cálculo dos prazeres: ela define os contornos da ataraxia, ou tranqüilidade da alma, que conduz à felicidade. Posto o pensamento, aos homens ansiosos de felicidade cabia, antes de tudo, afastarem-se da fonte dos males: a pólis. Esta se encontrava moralmente falida e deveria ceder espaço a um novo local para a felicidade: o Jardim de Epicuro. O pensador sabia que a comunhão das verdades anunciadas a respeito dos deuses e da morte ajudaria a manter os antigos temores afastados, além de compreender que o apoio de amigos é importante nos momentos difíceis da vida. Assim, a escola epicurista era, antes de tudo, um local de encontro de amigos. Em meio à convivência amistosa, Epicuro mostrou que o corpo exige pouco para viver bem e que a alma, para permanecer tranqüila, deveria se tornar imperturbável diante dos impulsos que levam à libertinagem e à ostentação, entre outros. Em outras palavras, a tranqüilidade da alma depende do aprendizado da correta escolha dos prazeres a serem buscados. Destarte, o mestre ensinou a distinguir os prazeres que são necessários dos que não o são, explicando que a má escolha sempre acarreta algum tipo de sofrimento. Simples foram as suas idéias, mas de grande eficácia, tendo sua doutrina repercutido amplamente em diversas partes do mundo antigo e medieval. Assim, seus preceitos atenderam aos anseios de felicidade dos homens do seu tempo e se perpetuaram até os dias atuais como um estímulo à discussão acerca da forma como os homens vivem em sociedade. E, ao que parece, os homens de hoje também não andam muito felizes, talvez necessitando de sujeitos que, a exemplo de Epicuro, sejam capazes de discutir a vida humana.