- Autor
- JURACY CIPRIANO DA SILVA
- Orientador(a)
- Luis Alberto De Boni
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Nesta dissertação de mestrado, abordamos o problema do primado da vontade na ética de Guilherme de Ockham. Para tanto, ele afirma a liberdade da vontade como objeto material da ciência moral, a reta razão como a causa eficiente parcial e objeto da moralidade e a vontade de Deus como o objeto primário do ato virtuosamente perfeito e meritório. Por tal postura, ele é apontado por alguns autores como positivista ou racionalista ético. Investigando a questão, alu-dimos a alguns aspectos preliminares da natureza do conceito de vontade e das discussões decor-rentes da articulação entre a liberdade de escolha da vontade e a necessidade da racionalidade. ..Santo Agostinho é destacado por ampliar o campo semântico do conceito vontade, confe-rindo-lhe certa primazia na definição do agir moral. Santo Anselmo, distingue a vontade em „affectio commodi"""", naturalmente orientada, e „affectio iustitiae"""", a vontade reta e, por defini-ção, livre. Com a introdução, no Ocidente, da Metafísica e Física e dos novos capítulos da Ética a Nicómaco de Aristóteles, defini-se controvérsia entre os „intelectualistas"""" e os „voluntaristas"""". Conciliar o poder de Deus e/ou o poder das leis da natureza e o libero arbitrium humano é o pro-blema central com que se depara o pensamento tradicional cristão no século XIII. A crise, cujo marco são as „condenações de Tempier"""" ao chamado „necessitarismo"""", culmina com disputa acadêmica entre os pensadores dominicanos, representados por Tomás de Aquino, que afirmam a determinação da vontade pelo intelecto na elicitação do ato moral e os franciscanos, representa-dos por Duns Escoto, afirmando a tese oposta. O franciscano Guilherme de Ockham concebe a vontade e o intelecto como conceitos conotativos, sem existência real, inerentes à alma humana. Sua ética pressupõe a vontade como capacidade livre de escolha entre opostos e objeto material da ciência moral...Consideramos também a divisão ockhamiana da ciência moral em positiva (relativa às leis e preceitos) e não-positiva (relativa à vontade e à reta razão). Na análise da vontade e da reta razão, Ockham aponta para a primeira como a causa eficiente da moralidade e a segunda como a causa eficiente parcial do agir moral. Consideramos ainda, a afirmação ockhamiana da vontade de Deus postulada como instância objetiva de uma ética dupla: interior (subjetiva) e exterior (objetiva) e as suas razões para definir o amor a Deus como o objeto primário da vontade na elicitação um ato moralmente virtuoso e meritório. Apontamos, por fim, para os fundamentos constitutivos de uma leitura não dicotomizante da moral dupla de Ockham. Fito possível graças a uma leitura interna e contextualizada, superadora do pseudoconflito interno, „voluntarismo"""" e „racionalismo"""", comumente atribuído à ética do Venerabilis inceptor...PALAVRAS-CHAVE - Guilherme de Ockham. Liberdade. Vontade. Reta razão. Vontade de Deus.
