- Autor
- Aurélia Sotero Angelo
- Orientador(a)
- Glenn W Erickson
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE — UFRN
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
A definição de tragédia na Poética aponta para um projeto metafísico insinuado pela noção de kátharsis. A reconstituição do método de definição de Aristóteles inspira-se nos conceitos de enérgeia e dýnamis retirados da Física, entendendo causa como substância. A Doutrina das Quatro Causas é o referencial teórico que orienta a definição de tragédia, enquadrando-a no gênero da imitação e dividindo-lhes as espécies: linguagem (causa material), ação nobre e completa (causa formal), atores (causa eficiente) e kátharsis (temporariamente identificada como causa final). Entretanto, não há causa final na definição de tragédia. A kátharsis das paixões processa-se no espectador ao assistir à tragédia que é a imitação de uma ação nobre, executada pelos atores e não narrada. Aristóteles justificou sua proposição em favor da mimese ao assumir que “imitar é natural ao homem desde a infância e a vista das imagens proporciona a quem as contempla aprender e identificar cada original”. Como princípio metafísico, Kátharsis se projeta para fora da definição de tragédia, onde realiza-se a manifestação catártica, no espectador. A pesquisa em torno do espectador retorna para a definição de tragédia, onde a imitação é cópia imperfeita que evoca no espectador a presença dos originais daqueles sentimentos imitados, realizando assim, a kátharsis dessas emoções. Kátharsis revela-se então, como auto-conhecimento e aproximação das verdades e perfeições divinas...Palavras-chave: princípio, causa, mimese, kátharsis dýnamis, enérgeia.
