O problema da liberdade na filosofia brasileira oitocentista: Gonçalves de Magalhães.
CESAR DE ARAUJO FRAGALE
- Autor
- CESAR DE ARAUJO FRAGALE
- Orientador(a)
- LUIZ ALBERTO CERQUEIRA BATISTA
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
Motivado pelas profundas transformações ocorridas na cultura brasileira nas primeiras décadas do século XIX, e preocupado em fundamentar a superação do aristotelismo, então suprimido do ensino filosófico desde a reforma pombalina da Universidade (1776), Domingos José Gonçalves de Magalhães (1811-1882) tornou-se o fundador da filosofia brasileira mediante a assimilação do cogito cartesiano enquanto princípio que inaugura a filosofia moderna. Tal assimilação consiste numa mudança de princípio, a saber: à necessidade de autoconsciência inerente ao aristotelismo ensinado sob o Ratio Studiorum (o que, em última instância, implicava a conversão religiosa) Magalhães acrescentou a necessidade de liberdade. Deixou assim a cultura brasileira de ser filha do aristotelismo português, mas não para renegar a própria origem nem esquecer da própria geração natural - a religiosidade cristã -, e sim para converter o espírito ao princípio desta geração através do racionalismo cartesiano, isto é, na perspectiva do homem que se concebe a si mesmo livre do determinismo da própria natureza, tornando-se assim capaz de pensar por si, tornando-se livre e, portanto, um ente moral. A evidência disto está em sua obra filosófica, especialmente nos Fatos do espírito humano (1858).
