- Autor
- André Antônio Ribeiro
- Orientador(a)
- Jayme Paviani
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
No diálogo Teeteto, Platão apresenta cinco tentativas de explicar o que é uma opinião falsa. Conceituar o que seja uma opinião falsa apresentava um duplo desafio para os pensadores da época. 1) """"Verdade"""" era definida como """"dizer o que é"""" (por exemplo: Platão, Eutidemo 382e; Crátilo 285b; Sofista 263b; Aristóteles: Metafísica IV, 7, 1011b 26) enquanto que """"falsidade"""" era definida como """"dizer o que não é"""". Mas alguns sofistas, como Antístenes, interpretavam o verbo """"é"""" no sentido existencial, de modo que """"dizer o que não é"""" era declarado impossível pois, sempre que falamos, dizemos algo. Ora, o que não é não existe; logo, dizer o que não existe equivale a não dizer nada (ficar em silêncio). 2) Qual o status epistemológico da opinião (doxa)? Conforme o livro V da República, o conhecimento (episteme) refere-se ao ser, isto é, liga-se à posse da verdade, enquanto que a ignorância refere-se ao não-ser. A opinião falsa, por ser opinião, dever ter algum conteúdo, algo que existe, caso contrário seria ignorância. Mas, por outro lado, por ser falsa, ela deve se referir a algo que não é em relação ao seu conteúdo expresso. Como o verbo """"ser"""" é concebido no sentido exclusivamente existencial, chega-se ao paradoxo de que a opinião falsa dá algum tipo de existência a algo que, por definição, não tem existência. As cinco tentativas de explicar o que é uma opinião falsa apresentadas no Teeteto (saber ou não saber; ser ou não-ser; troca de representações, massa de cera, aviário) são rejeitadas pois elas não nos permitem compreender como alguém poderia confundir algo que sabe com algo que não sabe ou vice-versa, nem confundir algo que sabe com algo que sabe. Mas as conclusões positivas deste fracasso são que (1) necessita-se de uma nova concepção do significado do verbo """"ser"""" e da negação; (2) necessita-se uma teoria do conhecimento que leve em conta a complexidade das relações entre quem conhece algo e o que é conhecido e (3) que (1) e (2) estão, de alguma, forma relacionados, itens que Platão desenvolverá no diálogo Sofista.
