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Dissertações

O problema da phília em Aristóteles

João Silva Lima

Dissertação
Autor
João Silva Lima
Orientador(a)
João Carlos Kfouri Quartim de Moraes
Universidade
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
1997
1997João Silva Lima. O problema da phília em Aristóteles. 1997. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, SP. Orientador(a): João Carlos Kfouri Quartim de Moraes.3

Este trabalho tem por objetivo discutir o problema da amizade em Aristóteles, a partir da leitura dos livros VII e IX da Ética e Nicômaco. A amizade é uma noção significativa na cultura grega, não só porque abrange as diversas formas de ligação entre os homens, mas principalmente porque fundamenta e harmoniza a convivência humana em vista do bem comum Por isso se diz, de Homero a Aristóteles, que o """"amigo é um bem acima de todos os outros bens"""" e """"a verdadeira amizade uma reciprocidade na prática do bem"""". Em Aristóteles, a phília integra a reflexão sobre o bem para o homem, por ser uma virtude ou algo que participa da virtude, não tanto como uma necessidade, mas, acima, de tudo, como uma atividade virtuosa que estimula a prática de nobres ações. De acordo com Aristóteles, não existe uma única, mas várias formas de amizade, constituídas não em um, mas em vários gêneros, numa multiplicidade de significados, diferentes entre si, mas que se relacionam, de uma foram ou de outra, ao bem, princípio que dá origem à amizade segundo a virtude, à qual todas as outras se relacionam. Nessa concepção, mais que uma simples necessidade de ligação afetiva entre as pessoas, a phília significa essencialmente uma ação viruosa marcada pela reciprocidade na prática do bem, sobretudo entre aqueles que convivem na pólis. Dessa maneira, a concepção aristotélica da phília comporta duas grandes dimensões, com finalidades próprias: uma enquanto parte integrante das virtudes éticas, que tem como finalidade a perfeição da vida prática, em última instância, a vida humana em vista do """"bem viver"""" na pólis; outra, enquanto acabamento ou aperfeiçoamento da virtudes éticas ou dianoéticas, que tem por fim a perfeição da vida teorética, onde reside a verdadeira felicidade. Assim, a phília constitui um """"bem"""" tanto para a vida prática quanto para a vida contemplativa, uma vez que, na presença e na companhia de amigos, é muito mais fácil atingir a finalidade da ação e da contemplação. Portanto, à medida em que se vincula à virtude e à felicidade, a phília constitui umas espécie de """"mediação"""" necessária à plenitude da convivência humana em todas as suas dimensões.