O PROBLEMA DA RELAÇÃO MENTE-CORPO E A CONSCIÊNCIA COMO SUA MANIFESTAÇÃO
DANIEL LUPORINI DE FARIA
- Autor
- DANIEL LUPORINI DE FARIA
- Orientador(a)
- MARIA EUNICE QUILICI GONZALEZ
- Universidade
- UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO/MARILIA — UNESP/MAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
Pretende-se investigar, no presente trabalho, a relação mente-corpo em suas perspectivas ontológica e epistemológica. O fio condutor de nossas análises consiste no tratamento de questões associadas às equivalentes noções de sensação, consciência, experiência consciente ou simplesmente experiência. Assim, partindo da concepção de que a relação mente-corpo se coloca enquanto problema filosófico, sobretudo, a partir do contexto da filosofia cartesiana, investigamos o modo como tal problema é abordado sob as perspectivas materialista e funcionalista em filosofia da mente. As abordagens materialistas escolhidas seriam a teoria da identidade mente-cérebro, tal como Smart (1970) a propõe, e o eliminativismo formulado por P. M. Churchland (2004). No que diz respeito à abordagem funcionalista da mente, a ênfase é conferida à possibilidade de se definir funcionalmente o aspecto qualitativo da experiência, especialmente, no que diz respeito à perspectiva funcionalista delineada por Shoemaker (1980). Após tais análises, observa-se um desestimulante ceticismo, tendo em vista nossa opinião de que tanto as abordagens materialistas investigadas, quanto a perspectiva funcionalista escolhida falham, a rigor, em dirimir o problema mente-corpo, bem como explicar a experiência consciente. Porém, para não permanecermos céticos em relação a tais problemas, propomos, ao final do trabalho, o resgate dos estudos de Ryle, em que a relação mente-corpo e a questão epistemológica da experiência consciente podem ser mais bem compreendidas tendo em vista uma perspectiva que denominamos de relacional, em que a mente é concebida não mais como coisa (res), localizada num recipiente de acesso privilegiado, mas como uma propriedade disposicional, de múltiplas vias, expressa no comportamento e na história vivida de cada sistema.
