O problema da verdade na filosofia de L. Wittgenstein: percurso da semantica à pragmática
Eduardo Simões Silva
- Autor
- Eduardo Simões Silva
- Orientador(a)
- Mark Julian Richter Cass
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
É bem conhecido por todos os estudiosos do campo psicológico uma indisfarçável.dificuldade que surge toda vez que o objeto de seus estudos é evocado. De todos.os problemas epistemológicos que uma ciência possa enfrentar, certamente uma.conceituação “fragmentada” de seu objeto é o mais comprometedor deles. Eis aí.o ponto crucial do estatuto psicológico. Independente de qual explicação se.apresente para justificar tal estado de fragmentação, o fato é que as diferentes.comunidades de pesquisa, tidas por “escolas”, não comungam das mesmas.“noções de base” para conceituarem aquilo que estão estudando. Por noções de.base entenda-se “modelos” que antecedem a própria definição do objeto. Na falta.de um modelo para o objeto psicológico que seja amplo o bastante para situar as.órbitas das escolas em torno de um eixo coeso, cada uma delas elege sua própria.concepção de objeto, o que passaremos a considerar como os “objetos menores”.da psicologia. Se uma ciência é capaz de tanta diversidade em seu corpus, a.ponto de tornar temerária qualquer tentativa de coesão de suas partes, por certo.deve possuir alguma característica que a faça sui generis. Tal característica só.pode ser entendida na própria natureza de seu objeto, cuja fenomenologia pode.ser qualificada de “dupla-face”, ora circunscrevendo propriedades físicas (próprias.do terreno das chamadas “ciências da natureza”), ora circunscrevendo.propriedades abstratas (próprias do terreno das chamadas “ciências do espírito”)..Isto é o que chamamos “imponderável”, pois esta versatilidade, intrínseca ao.objeto psicológico, traduz também o seu caráter paradoxal. Ao longo desta tese,.pretende-se demonstrar, com base neste caráter, a íntima dependência da.psicologia com respeito à filosofia da mente, pois a solução epistemológica.daquela passa pela dissolução do problema mente-corpo refletido por esta..Examinando minuciosamente certos traços das obras de quatro grandes.pensadores, a saber, R. Descartes, G. Ryle, S. Freud e C. G. Jung, este problema.filosófico se evidencia sob diferentes roupagens, algo que, não obstante as.diferenças entre eles, aponta para um elo problemático comum, o qual também.pode estar apontando para um possível modelo mais amplo para o objeto.psicológico, que coincida com o que esta tese considera ser o “objeto maior” da.psicologia. A este hipotético modelo, o trabalho a seguir oferece a terminologia do.“híbrido” para elucidá-lo, empregando, para tal, um entrecruzamento de reflexões.históricas e epistemológicas, desembocando em uma hermenêutica.fenomenológica.
