- Autor
- Cristiane Fianco
- Orientador(a)
- Cláudio Ferreira da Costa
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE — UFRN
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
O problema do livre arbítrio é talvez um dos mais complexos da filosofia. A discussão surge do choque entre duas teses. A primeira diz que o comportamento voluntário é pelo menos em algumas vezes, livremente comandado pelo agente, promotor da ação. A segunda hipótese diz que existe uma causa ou uma explicação necessária e suficiente para tudo aquilo que acontece na natureza e que este mesmo raciocínio deve ser aplicado às decisões e ações humanas. P problema consiste no fato de que aceitar estas duas teses que se dizem igualmente evidentes implica na obtenção de resultados aparentemente inconsistentes. Elas geral o problema acerca da liberdade humana, justamente por sugerirem que as ações e escolhas não podem ser livres se forem causadas – e assim determinadas – por cadeias de eventos anteriores. Os que aceitam a existência do dilema são conhecidos como incompatibilistas. Costumam ser de dois tipos: a) os deterministas, que aceitam a determinação causal e rejeitam a liberdade; b) os libertaristas, que entendem que a liberdade existe porque deve haver algum evento (no caso, as ações e decisões humanas) que se excetuam da condição causal necessária e suficiente. Opondo-se a estas duas posições incompatibilistas, há a posição compatibilista. Esta concepção sugere que o dilema surge de uma má interpretação do problema e que, portanto, pode ser dissolvido, assumindo-se a noção de liberdade como ausência de restrições: livre é aquele que não é restringido, limitado, coagido. O objetivo da presente dissertação é sugerir – pela análise dos principais argumentos e objeções e adotando uma metodologia sistemática – que a concepção compatibilista pode ser uma solução além de plausível, fundamental, no que diz respeito a incrementar as discussões acerca do problema como um todo.
