O Projeto de Fundamentação das Ciencias do Espírito de Wilhelm Dilthey: Elementos da Crítica da Razão Histórica
Fernando Weber Finger
- Autor
- Fernando Weber Finger
- Orientador(a)
- Ricardo Bins di Napoli
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
Neste trabalho apresenta-se a tentativa de Wilhelm Dilthey de fundamentação, para as ciências do espírito, no período inicial de sua produção filosófica, compreendendo os anos de 1880 a 1890. Utilizou-se do método de pesquisa bibliográfica que se restringiu aos seguintes textos de Dilthey: Idéia Fundamental de Minha Filosofia (1880); Pressupostos ou Condições da Consciência ou do Conhecimento Científico (1880); Os Fatos da Consciência (Redação de Breslau) (aproximadamente 1880); Introdução às Ciências do Espírito: tentativa de uma Fundamentação do estudo da sociedade e da história. (1883); e Contribuição para a Solução da Questão da Origem de Nossa Crença na Realidade do Mundo Exterior e seu Direito (1890). Dividiu-se o trabalho em duas partes:.A primeira trata da relação analógica entre a Crítica da Razão Pura de Kant e a tentativa de uma ciência da razão histórica de Dilthey, a partir de uma contraposição entre os conceitos de transcendental e teórico-cognitivo. Chegou-se aos seguintes resultados: Dilthey parte de uma retomada crítica do Kant da Crítica da Razão Pura com o objetivo de ultrapassá-lo, inserindo no conceito de consciência a noção de historicidade; a argumentação transcendental de Kant prescreve princípios a priori contidos em um nível transcendental (puro) distinto do nível da experiência empírica, pois nesta, a razão pura examina seus poderes em relação às representações (empíricas e puras), a argumentação teórico-cognitiva de Dilthey descreve princípios históricos-críticos contidos no mesmo nível da experiência empírica, pois a razão histórica examina seus poderes em relação aos fatos da consciência (unidades que compreendem a representação, a volição e o sentimento). A conclusão a que se chega é que os projetos de fundamentação são distintos por intentarem solucionar o problema das condições da consciência de modo diferente: em Kant, estas são atemporais e aistóricas, pois seu conceito de autoconsciência é formal (pura atividade); em Dilthey estas são temporais e históricas, pois seu conceito de autoconsciência é real (descrição total dos conteúdos e das formas)..A segunda trata do fundamento sistemático do conhecimento histórico. Chegou-se aos seguintes resultados: em primeiro lugar, seguindo o conceito de crítica de Kant (enquanto um exame dos poderes de conhecimento), Dilthey ultrapassa-o por meio de sua concepção de consciência histórica, na qual a razão histórica atua não apenas pensando, mas querendo e sentindo (poderes unificados da consciência) no processo de conhecimento histórico. Nisto constitui seu conceito de conexão da vida anímica e seu princípio da razão suficiente histórica correspondente; em segundo lugar, mostra-se que sua fundamentação é uma tentativa de provar, descritivamente, a validade objetiva, a realidade objetiva e a existência do mundo externo, por meio de seus dois princípios históricos-críticos (da fenomenalidade e da empiria), ou seja, uma descrição dos modos de ser dos fatos da consciência na experiência interna ou vivência. A conclusão é a utilização de um processo de auto-reflexão como crítica da razão histórica, processo que descreve três modos de ser dos fatos da consciência histórica: enquanto conteúdos empíricos-psicológicos, enquanto princípios histórico-críticos e enquanto o todo dos atos psíquicos como consciência global. Assim, a autoconsciência representa o modo de fundamentação completo das ciências do espírito, pois nel se incluem tanto os elementos descritos nos outros modos, como também o eu, o mundo, etc. Nisto constitui seu conceito de totalidade da vida anímica.
