O próximo de Kierkegaard, o outro de Lévinas e a condição animal
Sandro de Souza Ferreira
- Autor
- Sandro de Souza Ferreira
- Orientador(a)
- José Nedel
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
Historicamente, a condição animal tem sido tratada, com pequenas variações, à luz do perfeccionismo moral nascido com Aristóteles e desenvolvido por Tomás de Aquino. Os animais ocupam espaço no mundo para servirem ao homem. A reação à concepção perfeccionista, em nossos dias, tem alcançado destaque nas vozes de Peter Singer e de Tom Regan, filósofos dedicados ao exame da questão animal. Tanto as proposições de Singer, quanto as de Regan, porém, têm sido alvo de objeções que, muitas vezes, as põem em dificuldades. Uma abordagem da condição animal que possa, ao mesmo tempo, reagir à altura ao perfeccionismo moral e escapar às objeções opostas a Singer e Regan, não é tarefa fácil. Tem-se, porém, que a ética pensada a partir da alteridade, na qual a responsabilidade assume o papel primordial, pode apresentar-se como um bom caminho. Sobressaem, nesse contexto, os nomes de Kierkegaard e de Lévinas, filósofos que pensaram a alteridade e a responsabilidade de formas inovadoras. Neste estudo, então, o que se pretende analisar são as perspectivas de debate acerca da condição animal a partir das reflexões éticas desenvolvidas por Kierkegaard e por Lévinas. O texto é desenvolvido em três etapas: a primeira e a segunda, destinadas ao estudo de tópicos dos pensamentos de Kierkegaard e de Lévinas, nos limites do necessário para que, na terceira, se aborde, especificamente, a forma como, por eles e a partir deles, foi e pode ser pensada a condição animal. Do pensamento kierkegaardiano, o maior destaque foi dado aos temas da proximidade e da alteridade, ampla e profundamente desenvolvidos em As obras do amor. Em relação a Lévinas, adota-se a mesma proposta. O enfoque maior foi dado à questão da alteridade, com destaque aos temas da substituição e da responsabilidade, dos quais Lévinas passou a tratar com mais vigor a partir de Diferentemente de ser. Assentadas essas bases, enfrenta-se, na terceira etapa, especificamente, a condição animal nas filosofias de Kierkegaard e de Lévinas. De Kierkegaard, o texto que recebeu maior destaque, a partir de então, foi Os lírios do campo e os pássaros do céu; já de Lévinas, o destaque foi reservado ao texto Nome de um cão ou o direito natural. Nessa terceira etapa, também são expostas as reflexões de Aristóteles e de Tomás de Aquino a respeito da questão animal, bem como as dos seus principais críticos da atualidade, Peter Singer e Tom Regan. Entendeu-se por bem, ainda, incluir no estudo reflexões acerca do tema levadas a efeito por Jacques Derrida e Giorgio Agamben, essas com enfoques que transitam entre a ética e o direito. Ao longo do texto, para destacar aspectos importantes, ou para oferecer contrapontos às reflexões de Kierkegaard e de Lévinas, são chamados ao debate, entre outros, Hegel, Freud, Buber e Rosenzweig.
