O Reverso do Mundo: Lógica, Metafísica e Semântica dos Condicionais Contrafactuais
Pedro Mendes de Lemos
- Autor
- Pedro Mendes de Lemos
- Orientador(a)
- Oswaldo Chateaubriand Filho
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
Embora de nascimento recente, o problema dos condicionais contrafactuais ainda trafega os círculos filosóficos com o mesmo entusiasmo da época de seu nascimento, provando que muito mais do que cogitações obscuras, são os problemas oriundos de nossas intuições mais insuspeitas que verdadeiramente cativam a mente de um filósofo. Abrangendo ponderações tais como “Se Napoleão tivesse vencido a batalha de Waterloo, teria conquistado toda Europa”, ou algo como “Se este fósforo tivesse sido riscado, teria acendido”, contrafactuais tomam parte substancial nas argumentações humanas e aludem a uma habilidade natural do homem em arrazoar sobre conseqüências de suposições que sabemos serem contrárias aos fatos. A literatura pertinente consagra dois principais posicionamentos na elucidação de contrafactuais: As teorias ‘consequencialistas’, que inauguram a questão, e as abordagens que introduziram as semânticas de mundos possíveis. As primeiras são tributárias das idéias de Roderick Chisholm e Nelson Goodman, nos respectivos artigos The Contrary-to-Fact Conditional (1946) e The Problem of Counterfactual Conditionals (1947), supondo que a inferência de contrafactuais é chancelada por algum estoque de crenças ou sentenças verdadeiras, que quando atuam em concurso com o antecedente, licenciam a inferência do conseqüente. Em virtude de problemas atinentes aos critérios adotados por estas primeiras teses, especialmente pela circularidade de seu critério de “co-sustentabilidade”, essas teorias acabaram caindo em relativo desprestígio. Ao mesmo tempo, a introdução das semânticas de mundos possíveis permitiu ampliar o escopo da análise de contrafactuais, sem cair nas antigas esparrelas e com recursos semânticos muito mais robustos. Contudo, essa guinada do problema ensejou compromissos ontológicos extremamente fortes, ao preço de um conceito de similaridade entre mundos metafisicamente implausível e epistemicamente insatisfatório. Nossa intenção foi então a de mostrar que, embora as teorias que recorram às semânticas de mundos possíveis resguardem inúmeros avanços, uma análise ‘consequencialista’ é epistemicamente prevalente sobre as segundas teorias, especialmente por permitir uma abordagem mais clara – ou mais intuitiva - de intervenção do mundo em nossas hipóteses.
