O romance como epopéia negativa. Elementos para uma estética da narrativa contemporânea em Lukács, Benjamin e Adorno
MAURÍLIO MACHADO LIMA JUNIOR
- Autor
- MAURÍLIO MACHADO LIMA JUNIOR
- Orientador(a)
- RICARDO JOSÉ CORRÊA BARBOSA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2001
Como é possível a produção da narrativa moderna - o romance - num mundo que deixou de criar as condições para a ação narrativa? Qual seria a verdadeira posição do narrador no romance em um momento histórico no qual a narrativa, em seu sentido tradicional, teve seu procedimento formal inviabilizado? Estas seriam algumas perguntas que procuro responder através do exame de textos de Lukács, Benjamin e Adorno. Tento avaliar as condições de possibilidade da narrativa numa circunstância na qual a faculdade humana de comunicar as suas experiências, em função de uma série de fatores, passou a ser denotada na forma de um """"não há nada a se dizer"""". Além disso, haveria o agravante de as poucas possibilidades de se relatar algo terem sido amparadas por uma linguagem estritamente vinculada à lógica dos meios da indústria cultural e de difusão da informação. A tarefa do romance de servir como retrato fiel da vida moderna, mostrando os seus infortúnios e descaminhos, a estranheza do sujeito em relação àquilo que lhe seria exterior, passou a encontrar dificuldades de realização, uma vez que através da linguagem comunicativa os autores somente poderiam reproduzir aquilo que nela estaria implicitamente inscrito. É sob estes aspectos que verifico a validade da tese de Adorno na qual ele afirma que os romances que deveriam ser levados em conta no mundo contemporâneo se assemelhariam a epopéias negativas, ou seja, narrativas que se libertariam da exigência de se relatar construindo, para além delas mesmas, um objeto que corresponderia a realidade. Somente assim poderiam dizer o real: não subsumindo a realidade à lógica da linguagem comunicativa, mas fazendo aparecer o real sob o regime de uma linguagem mimética.
