O sentido fenomenológico da noção de redução em Edmund Husserl: a relação entre transcendental e natural
Elízia Cristina Ferreira
- Autor
- Elízia Cristina Ferreira
- Orientador(a)
- Marcos José Müller-Granzotto
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
Num olhar desatento, a epoché fenomenológica de Husserl se apresenta como uma decisão """"anti-natural"""", afinal, assumir a atitude transcendental da redução supostamente implicaria abandonar algo inerente ao nosso modo intrínseco de compreender mundo. Caso se aceite isto, então é inevitável questionar a legitimidade dessa proposta metodológica. O objetivo deste trabalho é demonstrar que é a partir da própria atitude natural que se origina a necessidade de uma orientação distinta, não em relação ao modo como nos relacionamos com as coisas, com o mundo, mas em relação ao modo que o concebemos teoricamente. A epoché revela que é na ingenuidade de umatese assumida dogmaticamente que o homem toma distância de sua forma imediata de inserção no mundo. Em """"Ideen I"""" Husserl dispensa um esforço considerável em explicar o que se entende por """"atitude natural"""" e justamente nessa tentativa demonstra-se invevitável falar a respeito da intencionalidade da consciência, assim, ela aparece antes mesmo de uma elaboração explícita da redução, fazendo notar que é a tese da atitude natural que ofusca sua evidência. Desnorteada em seu objetivismo, ela impõe a si mesma a criação de códigos, de pontes de encontro com o mundo que o sujeito fechado em sua imanência, não pode alcançar.
