- Autor
- Emílio Carlos Herrera Terron Filho
- Orientador(a)
- Peter Pál Pelbart
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Esta dissertação estabelece conexões entre a produção literária de João Guimarães Rosa e o projeto filosófico de Gilles Deleuze e Félix Guattarri. O trabalho gira em torno de um combate, que se passa em nós, em favor da liberação de uma potência inconsciente, no contexto de uma experimentação artístico-vital. A obra de Guimarães Rosa constitui uma excelente ocasião para esse empreendimento, pois o convite à incursão de seu sertão é similar ao convite dos filósofos que aspiram ao plano de imanência...Desse modo, relaciono os três itens-problema que orientam meu trabalho:..1. Por que Guimarães Rosa precisou criar uma língua no interior de nossa língua oficial? Quais foram as torções por ele operadas para não ficar refém dos limites de uma linguagem incapaz de veicular os afectos e perceptos que o transbordavam? ..2. O que impede o leitor de mergulhar no sertão? A prisão a um modelo de pensamento. Daí a convocação, por parte do autor, da dimensão chamada por ele de """"ser-tão"""", não localizada nem geográfica nem historicamente, mas constituindo um certo espaço-tempo singular, no qual o que está em jogo é um campo de sensação. ..3. Uma vez apontados os obstáculos, identificarei alguns personagens que Deleuze chamaria de """"Originais"""", que nos dão condições de pensar saídas e que de alguma forma nos transportam ao """"fora"""".
