- Autor
- Tomas Rodolfo Dunkenmölle
- Orientador(a)
- Kleber Bez Birolo Candiotto
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ — PUC/PR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
As abordagens da metáfora de Donald Davidson e John Searle são consistentes com as respectivas teorias do significado nas quais estão baseadas. Enquanto ambos os filósofos concordam que a falsidade patente.geralmente se evidencia nos casos em que a metáfora é interpretada literalmente, eles discordam em relação ao seu caráter proposicional. Por um lado, Davidson convincentemente argumenta que, ao invés de considerar.metáforas como enunciados que dizem que isso ou aquilo é o caso, deveríamos considerá-las um convite de seguir uma dada comparação, mesmo que indeterminada. Por outro lado, Searle mostra que há um significado.metafórico a ser inferido e fornece um procedimento específico de como fazêlo. Apesar de as duas abordagens das metáforas parecerem contraditórias e, portanto, mutuamente excludentes, ambas as teorias são persuasivas em seu respectivo escopo. Concebemos as abordagens da metáfora de Davidson e Searle não como mutuamente excludentes, mas sim, como abordagens complementares. Essa síntese pressupõe que reconhecemos como aceitável a ideia de que existe um ciclo vital para esses tropos. Argumentamos que a estrita justaposição da noção de significado literal com a noção de significado metafórico é mal orientada, na medida em que o uso ordinário e o uso.extraordinário pertencem ao mesmo ciclo linguístico, tanto quanto o ordinário seja potencialmente extraordinário e vice versa. Concluímos que uma das funções da metáfora é a acomodação da linguagem natural a um mundo em.transformação. Por meio dessa acomodação linguística ou, mais especificamente, por meio da acomodação do uso linguístico, podemos pensar em coisas novas, apesar de nosso recurso linguístico estar esgotado.
