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Dissertações

O Trabalho Filosófico no Da Certeza de Ludwig Wittgenstein.

Haroldo Cajazeira Alves

Dissertação
Autor
Haroldo Cajazeira Alves
Orientador(a)
João Carlos Salles Pires da Silva
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2003
2003Haroldo Cajazeira Alves. O Trabalho Filosófico no Da Certeza de Ludwig Wittgenstein.. 2003. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, BA. Orientador(a): João Carlos Salles Pires da Silva.1

O objeto desta dissertação é o texto Da Certeza, de Ludwig Wittgenstein. Aquele que o ler cuidadosamente perceberá que o autor está como que situado na terceira margem do rio da filosofia. Não quer ele participar das disputas filosóficas, tampouco porpõe uma teoria filosófica que tente resolver de forma mais justa os problemas que as teorias anteriores não conseguiram dar conta. O seu gesto é outro e se traduz talvez na pergunta: qual o estatudo de um problema filosófico? Naturalmente, para responder a essa questão, ele se situa no campo da filosofia, uma vez que sua tarefa é diretamente dependente da existencia de proposições filosóficas. Um ponto fundamental da estratégia do autor, para investigar essas proposposições, é o da determinação do uso que os filósofos fazem da linguagem. Na sua ótica, há aí um uso da linguagem estranho ao uso comum, isto é, ao das nossas práticas cotidianas e mesmo científicas. Nessa dissertação, examinaremos a aplicação dessa estratégia algo terapêutica, no texto que talvez a exemplifique de forma mais bem acabada, o Da Certeza. Acompanharemos, assim, e. g., o modo como Wittgenstein nos ensina haver uma diferença entre duvidar da existência do mundo exterior e duvidar da existência de um planeta que observações venham a provar ou não. Essa dúvida, afinal, pressupõe um conjunto de certezas, tais como: o astrônomo não duvida dos seus olhos, do telescópio, das fotos de satélites, da existência de outros corpos celestes, etc. Já a dúvida sobre a existência do mundo exterior é como que uma dúvida construída no vácuo, sendo, pois, quixotesco tentar dar uma solução para ela. Não que ele desconsidere esse tipo de uso da linguagem; muito pelo contrário, esse uso revela algo sobre as nossas práticas lingüísticas. Para realizar a sua terapia filosófica, o autor explicitará a competência gramatical dos usuários de uma língua, e é essa competência, assim como o seu lugar na prática, que enfim examinaremos na presente dissertação.