Ontologia e Política: a Formação do Pensamento Marxiano de 1842 a 1846
RUBENS MOREIRA ENDERLE
- Autor
- RUBENS MOREIRA ENDERLE
- Orientador(a)
- ESTER VAISMAN
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2000
Este trabalho estrutura-se a partir de um debate com três autores contemporâneos, críticos da obra de Marx. São eles: Hannah Arendt, Claude Lefort e Miguel Abensour. A tese central que forma a interpretação destes autores é a denúncia, no pensamento marxiano, de um determinismo de natureza economicista que promoveria a denegação do político em favor da esfera da produção. A esfera política perderia, com isso, seu estatuto próprio - seja como condição humana mais elevada (Arendt), seja como dimensão simbólica, fundante do social (Lefort/Abensour) - para ser rebaixada ao segundo plano de um epifenômeno das relações econômicas. Ao investigarmos os textos de Marx, no entanto, este argumento mostra sua total incongruência. Em vez de um determinismo da esfera econômica, o que podemos encontrar é uma determinação ontológica das categorias do ser social, entre as quais encontra-se a politicidade sob a forma de um predicado negativo, uma contingência histórica a ser suprimida juntamente com o regime da propriedade privada. A política não é denegada em favor do econômico, mas sim integrada na totalidade de determinações da sociedade civil, o campo da interatividade prática entre os seres sensíveis: o homem e a natureza. Ao final do trabalho, invertendo-se a ordem inicial, a obra de Marx é chamada a interrogar os autores em questão.
